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Em fevereiro de 1616, Galileu Galilei foi censurado pela Igreja por disseminar o heliocentrismo

Mais de quatro séculos atrás, Galileu Galilei foi formalmente proibido pela Igreja Católica de defender, ensinar ou divulgar o heliocentrismo

Galileu Galilei
Galileu Galilei - Getty Images

No dia 26 de fevereiro de 1616, há mais de 400 anos, Galileu Galilei foi formalmente proibido pela Igreja Católica de defender, ensinar ou divulgar o heliocentrismo — a ideia de que a Terra gira em torno do Sol. O motivo? O heliocentrismo, então associado às teorias de Nicolau Copérnico, era considerado contrário às Escrituras e, portanto, passível de censura e punição.

No início do século 17, o modelo geocêntrico, herdado da filosofia aristotélica e da astronomia de Ptolomeu, era amplamente aceito não apenas como uma explicação científica do cosmos, mas como parte integrante da visão teológica cristã. Segundo essa concepção, a Terra ocupava o centro imóvel do universo, enquanto os corpos celestes giravam ao seu redor. Portanto, questionar essa estrutura significava, para muitos teólogos da época, questionar também a autoridade bíblica.

Galileu, já então um cientista renomado, havia se destacado por suas contribuições à física e, sobretudo, à astronomia. Com o uso do telescópio — instrumento que ele aperfeiçoou —, observou fenômenos que desafiavam o modelo tradicional, como as fases de Vênus e os satélites de Júpiter. Essas observações forneciam forte apoio empírico ao sistema heliocêntrico, no qual a Terra era apenas mais um planeta orbitando o Sol.

A Igreja reage

A reação da Igreja começou a se intensificar em 1615, quando as ideias do astrônomo nascido em Pisa, na Itália, passaram a ser denunciadas ao Santo Ofício. Em fevereiro de 1616, após análise teológica, a Congregação declarou que a afirmação de que o Sol estava no centro do mundo e que a Terra se movia era “formalmente herética”. Poucos dias depois, Galileu foi convocado e advertido pessoalmente pelo cardeal Roberto Bellarmino, uma das figuras mais influentes da Igreja e conselheiro da Inquisição.

A advertência foi clara: Galileu deveria abandonar a defesa da teoria copernicana e se comprometer a não ensiná-la nem divulgá-la, seja oralmente, seja por escrito. O descumprimento da ordem poderia resultar em prisão. Embora não tenha sido condenado naquele momento, o cientista passou a viver sob vigilância, com limites bem definidos para sua atuação intelectual.

Mas a história não pararia por aí. Anos mais tarde, em 1632, Galileu publicou o Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo, obra que, embora apresentada como uma discussão hipotética, deixava clara sua simpatia pelo heliocentrismo. A publicação reacendeu a controvérsia e levou ao famoso julgamento de 1633, quando Galileu foi condenado e sentenciado à prisão domiciliar.

Últimos anos

A partir de então os dias do cientista seriam amargos. No ano seguinte à sua prisão, faleceu, infelizmente, sua querida filha mais velha. Foi nesse período de luto e isolamento que Galilei começou a trabalhar em sua última grande obra, Discursos e Demonstrações Matemáticas Sobre Duas Novas Ciências, baseada nos estudos de mecânica que havia desenvolvido no início de sua carreira. Embora o livro não abordasse diretamente questões cosmológicas, o manuscrito teve de ser contrabandeado para fora da Itália para que fosse publicado na Holanda, em 1638. O astrônomo faleceria em 1642 sem nunca deixar sua residência, localizada em Arcetri.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.