Pesquisadores encontram plantas com mais de 100 anos no Cerrado
Plantas rasteiras e herbáceas com mais de 100 anos foram encontradas no Cerrado e as mais novas na Mata Atlântica.

Pesquisadores brasileiros encontraram exemplares de plantas rasteiras e herbáceas com mais de 100 anos no Cerrado, após analisar mais de 200 plantas coletadas na Mata Atlântica e no Cerrado. 107 espécies foram investigadas, mas nenhuma passava dos 10 anos.
A maioria das mais novas foram encontradas na Mata Atlântica, já no Cerrado encontraram as mais antigas. O destaque do estudo foi a descoberta de uma planta de 136 anos.
Com foco em estudo, caracterização e preservação, essa pesquisa sobre os campos naturais brasileiros foi liderada pelo projeto Biota Campos. O objetivo principal dos cientistas era analisar um tipo de vegetação aberta, com pequenos arbustos, gramíneas e ervas.
Apesar de não parecerem, os campos naturais são muito biodiversos, com muitas espécies vivendo no local. O resultado das pesquisas foram publicadas na revista Dendrochronologia.
Como identificar a idade
Pesquisadores determinam a idade das plantas por meio da contagem dos anéis de crescimento. Nas árvores, os anéis de crescimento ficam localizados nos troncos e são identificados por meio da dendrocronologia. Em plantas pequenas, eles ficam localizados em órgãos subterrâneos, como raízes e caules, por meio da herbocronologia.
Após coletarem os exemplares, os pesquisadores queriam datar as plantas através de seus órgãos subterrâneos, boa parte das plantas tinham seus anéis aparentes, mas outras eram muito pequenas e precisavam ser analisadas de outra forma.
Os cientistas conseguiram achar as células dos anéis de crescimento no microscópio, por meio de corantes. Essa nova análise e os novos estudos foram publicados na revista Flora. Com as análises foi possível encontrar plantas de 10 anos e plantas que ultrapassam os 100 anos.
Eles ainda afirmaram que encontraram seis plantas com mais de 100 anos no Cerrado, sob longa estação seca e que nenhuma planta com mais de 10 anos foi encontrada na Mata Atlântica em campos de altitude e clima úmido.
Os pesquisadores acreditam que a investigação mais profunda dos campos naturais é fundamental para ajudar a preservar, visto que o ecossistema está cada vez mais degradado.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli