Bebês dinossauros eram alvos fáceis para predadores durante o Jurássico Superior
Filhotes de braquiossauros eram "relativamente indefesos e fáceis de capturar", o que os tornava uma presa ideal para os predadores

Durante o Jurássico Superior, os braquiossauros, gigantescos dinossauros herbívoros que podiam atingir até 60 toneladas, eram considerados quase imbatíveis devido ao seu tamanho colossal. No entanto, um novo estudo realizado pela University College London (UCL) revela que os filhotes desses saurópodes eram, de fato, alvos fáceis para predadores da época.
A pesquisa, publicada em janeiro no New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin e divulgada nesta sexta-feira, 30, aponta que os jovens braquiossauros, por serem numerosos e lentos, tornavam-se presas preferidas para carnívoros como alossauros e torvossauros. Os adultos contavam com seu porte avantajado, a força de suas caudas e o comportamento social para se protegerem, enquanto os filhotes eram vulneráveis e frequentemente deixados sem proteção parental.
Segundo o paleontólogo Cassius Morrison, principal autor do estudo, esses filhotes eram “relativamente indefesos e fáceis de capturar”, o que os tornava uma presa ideal para os predadores. As evidências fósseis analisadas foram coletadas na Formação Morrison, especialmente em um local conhecido como Dry Mesa Dinosaur Quarry, no sudoeste do Colorado. O sítio paleontológico em questão é conhecido por preservar um momento de seca extrema que resultou no soterramento de diversos organismos.
De acordo com o portal Galileu, os pesquisadores identificaram a coexistência de pelo menos seis espécies diferentes de saurópodes naquela região, incluindo braquiossauros, diplodocos e apatossauros. Além disso, o ambiente era habitado por cinco grandes carnívoros e diversos outros herbívoros, pterossauros, pequenos répteis e mamíferos primitivos.
Para entender melhor as interações alimentares entre essas espécies, a equipe utilizou uma combinação de análises químicas do esmalte dentário dos dinossauros, padrões de marcas de mastigação, modelos biomecânicos e dados sobre tamanhos corporais. Eles também consideraram casos raros de conteúdo estomacal fossilizado. Com isso, foi possível mapear mais de 12 mil cadeias alimentares distintas em um sistema muito mais complexo do que uma simples hierarquia entre predadores e presas.
Estratégia
Apesar do enorme tamanho dos carnívoros da época, caçar um adulto saudável representava um risco considerável. O ecólogo Steven Allain ressalta que um golpe da cauda ou um movimento lateral dos saurópodes poderia causar danos sérios ou até mesmo a morte a um predador.
Por esse motivo, mesmo com debates sobre a possibilidade dos alossauros caçarem em grupo, a estratégia mais segura para esses predadores era focar nos filhotes ou em indivíduos debilitados. Essa abundância de presas acessíveis pode ter sido crucial para a sobrevivência de predadores feridos, conforme indicam fósseis de alossauros com lesões cicatrizadas.
O estudo ainda sugere que mudanças nessa dinâmica ao longo das eras podem ter influenciado a evolução de predadores mais especializados. Exemplos disso são os tiranossauros que surgiram posteriormente e passaram a desafiar herbívoros maiores e mais bem armados como o triceratops.