Notícias / Antártida

Cruzeiro é resgatado após ficar encalhado no gelo na Antártida

Cruzeiro que levava cerca de 200 pessoas a bordo precisou ser resgatado por quebra-gelo norte-americano após ficar preso

Imagens do resgate circulam nas redes sociais - Crédito: Divulgação/USCGC Polar Star

Um navio de cruzeiro chamado Scenic Eclipse II, que levava cerca de 200 passageiros a bordo, ficou preso em uma densa camada de gelo marinho na Antártida no último fim de semana. O episódio ocorreu no Mar de Ross, na sexta-feira 23, por volta das 23h no horário local. A Guarda Costeira dos Estados Unidos foi acionada para realizar o resgate.

A operação foi liderada pelo Polar Star, um quebra-gelo considerado o mais potente da frota da Guarda Costeira americana. No dia seguinte ao incidente, o Polar Star fez duas manobras próximas ao cruzeiro para quebrar o gelo que cercava o casco do Scenic Eclipse II. Com isso, a embarcação, de origem australiana, foi finalmente liberada e escoltada até águas abertas, a aproximadamente oito milhas náuticas do Estreito de McMurdo, conforme informações oficiais divulgadas.

Imagens capturadas durante o resgate mostram passageiros observando a ação do convés do navio. Um dos turistas, identificado como Steven Falk, compartilhou sua experiência nas redes sociais, relatando que a espessura do gelo ao redor da embarcação chegava a um metro e meio. Ele destacou a importância da presença do Polar Star para evitar uma situação potencialmente desastrosa. “Sem o Polar Star, isso poderia ter sido um desastre épico”, afirmou.

Segundo o portal O Globo, o itinerário do cruzeiro incluía paradas no Mar de Ross, na Plataforma de Gelo de Ross e nas históricas cabanas de Shackleton e Scott, que estão próximas à Estação McMurdo. Falk mencionou que poucas horas antes do incidente, o Scenic Eclipse II havia se aventurado em uma das áreas mais remotas do planeta.

A Guarda Costeira confirmou que não houve feridos entre os passageiros ou a tripulação. Além disso, a empresa Scenic Luxury Cruises and Tours não reportou danos estruturais significativos à embarcação.

Sobre o quebra-gelo

O Polar Star estava em sua 29ª missão para a Antártida e partiu de Seattle em novembro para apoiar a Operação Deep Freeze, uma iniciativa que oferece suporte logístico ao Programa Antártico dos EUA. Desde seu comissionamento em janeiro de 1976, o Polar Star é considerado o único quebra-gelo pesado da marinha dos Estados Unidos e continua sendo o mais robusto entre os navios da Guarda Costeira.

O capitão Jeff Rasnake elogiou o desempenho da tripulação diante dos desafios enfrentados após quase cinco décadas de operação do Polar Star. O comandante Samuel Blase complementou afirmando que a embarcação permanece como o quebra-gelo não nuclear mais eficiente do mundo.

A Guarda Costeira também ressaltou que além das atividades na Antártida, o Polar Star participa de operações no Ártico, assegurando rotas marítimas estratégicas e a presença dos Estados Unidos em regiões polares.

Comunicado do Scenic Group

Após o ocorrido, a companhia Scenic Group emitiu uma nota oficial comentando o caso. Confira na íntegra:

“Em 17 de janeiro de 2026, o Scenic Eclipse II realizava uma viagem no Mar de Ross, próximo ao Estreito de McMurdo. Devido a mudanças nas condições do gelo compacto, o avanço ocorreu de forma mais lenta do que o previsto, e o comandante solicitou apoio da embarcação próxima USCG Polar Star para, juntos, liberarem a área e evitarem um período mais longo de navegação em velocidade reduzida.

No dia seguinte, o movimento natural do gelo voltou a abrir a passagem e as condições se normalizaram.

O Capitão James Griffiths, Gerente Geral de Operações Oceânicas do Scenic Group, afirmou:

‘Somos gratos pelo profissionalismo e pela cooperação da tripulação do USCG Polar Star durante nossas operações no Mar de Ross. Embora o Scenic Eclipse II nunca tenha necessitado de serviços de resgate, a coordenação entre as duas embarcações garantiu que pudéssemos navegar pelo gelo em constante mudança de forma segura e eficiente. Este é um excelente exemplo da cooperação prática e respeitosa que existe nas regiões polares, onde a segurança, a boa marinharia e a responsabilidade compartilhada sempre vêm em primeiro lugar.'”

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.