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Cruz achada na Alemanha foi feita em molde de forte eslavo em Berlim

Uma cruz achada na Alemanha encaixa no molde do forte de Spandau e traz evidências inéditas da cristianização de eslavos no século 10

À esquerda, o molde de fundição encontrado no forte de Spandau em 1983; à direita, a cruz de bronze descoberta recentemente em Havelland / Créditos: BLDAM / Lukas Goldmann / Gabriel Graf

Uma cruz de bronze em formato de roda, datada do século 10 ou 11, foi desenterrada recentemente na região de Havelland, na Alemanha. A descoberta foi realizada por Juliane Rangnow, uma voluntária que utilizava um detector de metais durante uma expedição de conservação.

Além do artefato religioso, a escavação revelou moedas, fragmentos de joias parcialmente douradas e armas de ferro do mesmo período. Análises posteriores realizadas por especialistas confirmaram que o objeto possui uma ligação histórica direta com um achado de décadas atrás.

A cruz corresponde com precisão a um molde de fundição encontrado em 1983, situado no antigo forte eslavo de Berlin-Spandau. Essa é a primeira vez que arqueólogos identificam uma peça produzida a partir daquela matriz específica, que foi recuperada perto de uma antiga igreja de madeira.

Símbolo de mudanças

De acordo com informações repercutidas pelo Archaeology News, o item serve como uma evidência concreta da introdução do cristianismo primitivo entre os povos eslavos que habitavam o leste do rio Elba.

Naquele momento, o território onde hoje ficam Berlim e Brandemburgo estava sob a influência política do Reino Franco Oriental. Portanto, o artefato ilustra as intensas trocas culturais que ocorriam na região.

Contudo, a aceitação da nova fé não foi imediata. As populações eslavas resistiram amplamente à conversão imposta pelas novas elites, o que culminou na Revolta de Lutizen em 983.

Esse levante restaurou a autonomia política e as crenças locais por cerca de 150 anos. A cristianização definitiva e sustentada só ocorreria a partir do século 12, com a integração ao Margraviato de Brandemburgo.

Arqueologia participativa

O episódio também evidencia o valor da colaboração sistemática entre cidadãos e especialistas. Atualmente, o estado de Brandemburgo mantém um programa com cerca de 350 voluntários treinados que auxiliam na preservação de mais de 40 mil sítios arqueológicos conhecidos.

Para celebrar o feito científico, a cruz de Havelland e o molde original de Spandau serão exibidos em conjunto. O público poderá visitar os artefatos no Museu Arqueológico Estadual de Brandemburgo até o dia 11 de março de 2026.