Tarântula infectada por fungo ‘zumbi’ é registrada em vídeo
Nas imagens, a tarântula aparece tomada pelo parasita Cordyceps; o organismo já havia consumido os tecidos para iniciar sua reprodução

Gravado no coração da Floresta Amazônica, o vídeo de uma tarântula-golias (Theraphosa blondi) dominada pelo fungo Cordyceps caloceroides chamou a atenção nas redes sociais. Esse tipo de organismo viu sua fama explodir nos últimos anos devido ao sucesso da franquia “The Last of Us”.
A obra, que nasceu nos videogames e se tornou uma série de sucesso da HBO, utiliza a habilidade real desse fungo de infectar o sistema nervoso de artrópodes para criar uma ficção distópica. Na trama, o fungo sofre uma mutação e ganha a capacidade de infectar humanos, transformando a população em “zumbis” violentos — algo que, felizmente, é biologicamente impossível na vida real, já que o fungo só ataca invertebrados.
Expedição científica
A responsável por encontrar o parasita e seu hospedeiro na vida real foi Lara Fritzsche, estudante de Ciências Ambientais da Universidade de Copenhague (UCPH). O achado ocorreu durante uma expedição de coleta do curso intensivo “Tropical Mycology Field Course”.
De acordo com informações da revista Galileu, o curso foi organizado pelo biólogo e professor da UCPH, João Paulo Machado de Araújo. O evento reuniu especialistas brasileiros e dinamarqueses na Reserva Ducke, nos arredores de Manaus.
O vídeo então viralizou nesta semana ao ser compartilhado por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, pesquisador da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), ultrapassando 2,1 milhões de visualizações no Instagram.
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Ciclo fatal
Nas imagens, o especialista segura a aranha e mostra que o animal, originalmente de cor marrom-dourada, está totalmente recoberto por uma estrutura fúngica rígida e avermelhada, com pontas alaranjadas. Ele explica que aquele estado indica o fim do ciclo de vida do parasita.
Além disso, nessa fase o fungo já devorou todos os tecidos internos da tarântula e rompeu o corpo para fora. É o momento em que ele se prepara para a reprodução assexuada através da esporulação.
No vídeo, o pesquisador detalha que, ao liberar esses esporos, o fungo busca infectar outras aranhas gigantes na Amazônia. Embora a cena seja visualmente impactante, trata-se de um fenômeno natural. E apesar de haver pouca documentação em vídeo devido à raridade do flagrante, esse é um processo esperado em ambientes de alta biodiversidade.