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Pesquisa na Amazônia revela tática de sobrevivência do macaco cuxiú

Estudo detalha como o cuxiú usa caninos para abrir frutos na Amazônia; essa tática de sobrevivência evita fraturas, mas habitat segue ameaçado

Um cuxiú-de-nariz-branco (Chiropotes albinasus) / Créditos: Divulgação / New England Primate Conservancy

Uma pesquisa recente realizada na Amazônia central brasileira detalhou os complexos mecanismos de alimentação e sobrevivência do cuxiú-de-nariz-branco (Chiropotes albinasus).

O estudo, liderado pelo professor Adrian Barnett, da Universidade de Greenwich, analisou como essa espécie ameaçada consegue processar alimentos inacessíveis para a maioria da fauna local.

As descobertas indicam que a inteligência e a adaptação anatômica são fundamentais para evitar danos físicos letais. Diferentemente de outros primatas que utilizam ferramentas ou molares para abrir alimentos, o cuxiú utiliza caninos funcionais e mandíbulas de grande potência projetados para perfurar frutos duros e imaturos.

Tática de sobrevivência

De acordo com informações da revista Galileu, essa força bruta não atua isoladamente. A investigação revelou que estes animais miram estrategicamente a sutura natural do fruto, o ponto onde a casca se rompe para liberar a semente. Segundo as medições, perfurar essa linha específica exige até 70% menos força do que o necessário em outras áreas da superfície.

Consequentemente, essa técnica preserva a dentição do animal. Exames realizados em crânios do Museu de História Natural de Londres corroboraram que as fraturas dentárias no cuxiú não são mais frequentes do que em macacos que consomem dietas mais macias. A integridade dental é vital, visto que qualquer lesão na floresta pode levar à inanição.

Desafio ambiental

Além disso, o estudo contextualiza o cuxiú dentro de um ambiente de alta exigência física. A vida na floresta tropical demanda condicionamento comparável ao de atletas olímpicos, característica observada também na agilidade dos macacos-aranha e na potência vocal dos bugios.

Já por outro lado, a pesquisa aponta para uma ameaça externa crítica. Apesar das notáveis adaptações evolutivas desenvolvidas ao longo de milênios, a destruição acelerada do habitat supera a capacidade de resposta biológica das espécies. Por isso, o desmatamento contínuo coloca em risco a sobrevivência desses primatas, independentemente de suas habilidades especializadas.