Buraco negro supermassivo desperta após 100 milhões de anos
Localizado em uma galáxia distante, o buraco negro voltou a expelir jatos de plasma no espaço após passar por um longo período de inatividade

Após quase 100 milhões de anos, cientistas observaram um buraco negro supermassivo despertando. Ele está localizado no centro de uma galáxia gigantesca, onde emissões de ondas de rádio são extremamente fortes.
Anteriormente, ele expelia jatos gigantescos de plasma a centenas de milhares de anos-luz no espaço. Mas em um determinado momento do passado, esses jatos pararam. Agora, cientistas voltam a presenciar sinais de atividade, além de os jatos estarem interagindo de maneiras mais complexas e caóticas com gás superaquecido ao seu redor.
Shobha Kumari, astrônoma e coautora do estudo, comparou o fenômeno a assistir um “vulcão cósmico” entrar em erupção após eras de calmaria. No entanto, a escala deste evento é colossal, sendo grande o suficiente para esculpir estruturas que se estendem por quase um milhão de anos-luz no espaço.
Fenômeno raro
Vale destacar que esse comportamento não é comum a todos os astros desse tipo, pois apenas 10% a 20% dos buracos negros supermassivos possuem jatos que emitem sinais de rádio.
Embora sejam eventos astronômicos de grande escala, a emissão de sinais de rádio ocorre em apenas uma pequena parcela dos buracos negros supermassivos. O fenômeno depende diretamente de um disco de matéria que orbita o núcleo e, ao girar, gera campos magnéticos intensos responsáveis por expelir partículas.
Com isso, qualquer instabilidade na alimentação desse sistema pode interromper o fluxo de energia, o que justifica os longos períodos de silêncio cósmico observados pelos astrônomos.
Rastros no tempo
Para investigar o caso mais a fundo, a equipe recorreu à rede de radiotelescópios LOFAR, conforme detalhado no artigo da Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, publicado no dia 15 de janeiro. A análise da galáxia J1007+3540 revelou uma cronologia distinta e curiosa.
De acordo com informações da revista Live Science, por um lado, os cientistas detectaram vestígios antigos de plasma datados de 240 milhões de anos. Por outro, identificaram emissões muito mais recentes e brilhantes, com idade estimada em 140 milhões de anos, situadas na mesma região.
Influência do ambiente
Essa diferença temporal serve como evidência de que o “motor” da galáxia funciona em ciclos de atividade e repouso. Além disso, o ambiente externo desempenha um papel fundamental na aparência final do fenômeno.
O gás superaquecido presente no aglomerado exerce pressão sobre os jatos e acaba por criar distorções visíveis em sua trajetória. Conforme indicam os autores da pesquisa, o próximo passo envolve realizar mapeamentos de alta resolução para compreender exatamente como essa propagação de energia vence a resistência do meio intergaláctico.