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IA e drones ajudam a localizar corpo de alpinista que desapareceu nos Alpes italianos

Equipes de resgate enfrentaram condições meteorológicas adversas enquanto buscavam corpo de cirurgião ortopédico de 66 anos que havia desaparecido na região do Piemonte

Geleira na montanha de Marmolada, a mais alta nos Alpes italianos - Crédito: Getty Images

Equipes de resgate enfrentaram condições meteorológicas adversas enquanto buscavam o alpinista Nicola Ivaldo, um cirurgião ortopédico de 66 anos que havia desaparecido na região do Piemonte, no norte da Itália. O alerta foi emitido após sua ausência no trabalho na segunda-feira, levando as autoridades a investigar seu paradeiro.

Ivaldo, que partiu sozinho em uma tarde de domingo em setembro de 2024, não comunicou amigos ou familiares sobre seus planos. A primeira pista surgiu quando seu veículo foi encontrado estacionado na vila de Castello di Pontechianale, no Vale de Varaita. A hipótese inicial levantada pelos socorristas indicava que ele poderia ter tentado escalar o Monviso, com 3.841 metros de altitude, ou o Visolotto, de 3.348 metros, baseando-se na última localização do sinal de seu celular.

O vasto e acidentado terreno das montanhas apresentava um grande desafio para as equipes de busca. Com várias rotas de ascensão e centenas de quilômetros de trilhas na área, a tarefa se mostrou complexa. Segundo Simone Bobbio, porta-voz do Serviço Nacional de Resgate Alpino e Espeleológico do Piemonte (CNSAS), a análise inicial indicava que, apesar do movimento intenso nas trilhas mais populares devido ao clima favorável no dia do desaparecimento, ninguém havia avistado Ivaldo. As informações são do portal La Nacion.

Buscas intensas

Durante quase uma semana, mais de 50 socorristas exploraram a região enquanto um helicóptero realizava voos de reconhecimento na tentativa de localizá-lo. Contudo, com a chegada da primeira neve no final de setembro e a diminuição das chances de encontrá-lo com vida, as buscas foram interrompidas até julho de 2025, quando a maior parte da neve derreteu.

Na retomada das buscas, um avanço tecnológico significativo foi introduzido: o uso da inteligência artificial. As equipes empregaram um software inovador que analisou milhares de fotografias capturadas por drones sobrevoando os penhascos. Dois drones levaram cerca de cinco horas para coletar imagens que seriam analisadas rapidamente para identificar áreas prioritárias para investigação. No entanto, as condições climáticas adversas atrasaram essa fase crítica.

Três dias após o reinício das operações, o corpo de Ivaldo foi descoberto em uma ravina na encosta norte do Monviso, a aproximadamente 3.250 metros de altitude. O resgate foi realizado com a ajuda do helicóptero, e um capacete vermelho identificado pelo software foi crucial para localizar o médico. “A chave foi um capacete vermelho identificado como ponto de interesse pelo software”, destacou Bobbio.

Potencial da IA

Embora a recuperação tenha ocorrido tardiamente para salvar Ivaldo, os resultados obtidos durante essa operação demonstraram o potencial da inteligência artificial em missões futuras de resgate. Apesar da tecnologia não ter sido utilizada nas fases iniciais das buscas, os profissionais esperam integrá-la aos métodos tradicionais em situações onde ainda há possibilidade de encontrar sobreviventes.

A importância dos drones foi evidenciada na localização do corpo. Seu tamanho compacto e agilidade permitiram que os equipamentos navegam terrenos difíceis e oferecessem ângulos de visão que não poderiam ser obtidos por helicópteros. Durante os meses anteriores ao incidente, pilotos foram treinados em voos nas montanhas para otimizar sua eficácia nas operações.

Saverio Isola, piloto responsável pela operação, explicou que informações obtidas em missões anteriores ajudaram a definir áreas prioritárias para as buscas. Um helicóptero levou dois pilotos ao cume das montanhas, permitindo que os drones cobrisse 183 hectares e capturassem mais de 2.600 fotos em alta resolução.

“Até dois anos atrás, teríamos de analisar essas imagens manualmente, uma por uma”, comentou Isola. Desde 2023, equipes italianas começaram a utilizar softwares existentes capazes de identificar anomalias na paisagem através da análise detalhada das imagens capturadas por drones.

O sistema investigou pixel por pixel em busca de elementos que não se encaixavam nos padrões naturais do ambiente. Apesar dos avanços tecnológicos, ainda foi necessário um filtro humano para garantir a precisão dos resultados. “O software podia reagir a coisas como lixo plástico ou uma rocha com cor incomum”, esclareceu Isola. As buscas foram focadas em três locais principais; um deles revelou ser o capacete vermelho pertencente a Ivaldo.

Limitações

De acordo com o portal La Nation, especialistas ressaltam as limitações da tecnologia atual; os drones têm desempenho reduzido em áreas densamente arborizadas ou com baixa visibilidade e precisam ser aprimorados continuamente. Tomasz Niedzielski, especialista em geoinformática da Universidade de Wrocław destaca a importância do treinamento constante dos sistemas de aprendizado para melhorar suas performances em terrenos variados.

Daniele Giordan, chefe do Grupo de Monitoramento de Riscos Geológicos do Instituto Italiano IRPI, também enfatiza questões éticas relacionadas ao uso dessas tecnologias. Ele colabora no desenvolvimento de algoritmos avançados que podem fornecer dados mais precisos às equipes de resgate durante operações. “Nossa proposta é criar um software mais abrangente, que analise todas as séries de dados das operações de busca e coordene equipes em terra e drones no mesmo sistema”, afirmou Giordan.

Pesquisadores também estão desenvolvendo sistemas inovadores que utilizam inteligência artificial para simular comportamentos humanos perdidos e gerar mapas para auxiliar nas buscas em terrenos desafiadores.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.