Buraco em cabeça de peixe de espécie singular pode ter função inesperada
Um pequeno peixe vem intrigando cientistas há mais de um século em razão do formato peculiar de sua cabeça; entenda!

O poacher de cabeça de pedra, uma espécie peculiar de peixe, é notável não apenas por sua aparência inusitada, mas também por sua possível capacidade de comunicação através de sons. Este pequeno peixe, coberto por uma armadura óssea, possui uma cabeça com formato irregular e um grande orifício que intriga cientistas há mais de um século. Pesquisadores levantaram várias hipóteses sobre a função deste buraco, que vão desde ajudar na camuflagem até aprimoramento da audição.
Recentemente, porém, um biólogo especializado em peixes, Daniel Geldof, da Universidade Estadual da Louisiana, apresentou uma nova perspectiva em sua tese de mestrado. Através de tomografias computadorizadas detalhadas do poacher de cabeça de pedra, ele sugere que o peixe pode utilizar suas costelas como baquetas para produzir sons percussivos que auxiliam na comunicação com outros indivíduos da espécie.
A descoberta foi considerada uma revelação impressionante por Adam Summers, biomecanicista do Laboratório Friday Harbor da Universidade de Washington, que não participou da pesquisa. “Esse peixe tem o tamanho do seu dedo indicador, ainda assim, tem um buraco na cabeça onde você poderia esconder uma ervilha”, observou, segundo o portal Smithsonian.
Peixe de águas rasas
De acordo com a revista, o poacher de cabeça de pedra mede cerca de 9 centímetros e habita regiões intertidais rasas ao longo da costa do Pacífico do Canadá e dos Estados Unidos. Pertencente à família Agonidae, muitos membros desta família são conhecidos por emitir grunhidos e zumbidos entre si. No entanto, a função da cavidade na cabeça do poacher ainda era uma mistério para os cientistas.
Decidido a resolver esse enigma, Geldof dedicou-se a coletar peixes vivos junto de seus colegas. Como as tentativas foram em vão, ele recorreu a amostras coletadas anos antes do início de seus estudos.
Assim, usando tomografias computadorizadas de alta resolução, o pesquisador criou modelos tridimensionais detalhados do interior dos peixes, incluindo nervos individuais.
O que as digitalizações revelaram
As digitalizações finais revelaram que as primeiras costelas do poacher estão próximas ao buraco craniano, mas não são conectadas diretamente. Em vez disso, as bases dos ossos estão ligadas a músculos e tendões — não à coluna vertebral — o que sugere que o peixe pode golpear suas costelas achatadas contra o orifício em sua cabeça.
Os poachers nadam no fundo das suas águas rasas e qualquer vibração que eles possam gerar com esses “instrumentos” internos se propaga para baixo. Essa estratégia seria eficaz para enviar sinais a outros membros da espécie ou afastar predadores no fundo do oceânico, onde os sons viajam mais rapidamente do que na água.
Geldof mencionou em um vídeo no Instagram que os poachers vivos vibram como um celular quando segurados. No entanto, até o momento ninguém conseguiu registrar ou observar o peixe produzindo sons através dessa cavidade. Experimentos futuros com microfones subaquáticos serão necessários para confirmar a hipótese.