Descoberta na Turquia sugere tumba de parente do lendário Rei Midas
Descoberta no noroeste da Turquia levanta a hipótese de um sepultamento ligado à família do Rei Midas; especialistas adotam cautela

Uma tumba monumental descoberta no noroeste da Turquia pode ter sido construída para um membro da família do lendário Rei Midas, governante da Frígia no século 8 a.C. A hipótese é apresentada em um novo estudo que analisa a arquitetura e os objetos funerários encontrados no local, embora parte da comunidade acadêmica adote cautela quanto à identificação do sepultamento como real.
O túmulo está localizado no monte funerário de Karaağaç, no distrito de Bozüyük, a mais de 160 quilômetros a oeste de Górdio, antiga capital da Frígia. Segundo os pesquisadores, essa distância reforça a ideia de que o poder político frígio não estava concentrado apenas na capital, mas distribuído por diferentes regiões da Anatólia central.
Um túmulo fora do centro do poder
Segundo o arqueólogo Hüseyin Erpehlivan, da Universidade Bilecik, a existência de um sepultamento de elite tão distante de Górdio contraria a visão tradicional de um reino altamente centralizado, semelhante aos impérios assírio ou urartiano. Para ele, o túmulo indica uma organização política mais descentralizada, com elites regionais integradas às estruturas de poder frígias.
De acordo com informações repercutidas pela Live Science, o monte funerário ergue-se cerca de oito metros acima de uma colina natural e ultrapassa 30 metros em relação à planície ao redor, com aproximadamente 60 metros de diâmetro. A tumba foi identificada em 2010, após imagens de satélite revelarem sinais de saque, e vem sendo escavada de forma sistemática desde 2013.
Indícios de elite frígia
Em estudo publicado na edição de janeiro do American Journal of Archaeology, Erpehlivan destaca que a arquitetura da tumba, feita de madeira e com câmaras internas, é comparável à de sepultamentos de elite encontrados nos arredores de Górdio. Além disso, os objetos funerários incluem jarros de cerâmica fina, um deles com inscrição em língua frígia, e várias sítulas de bronze ricamente decoradas, artefatos associados a contextos de alto status.
A presença dessas sítulas é considerada relevante porque, até então, exemplares semelhantes só haviam sido documentados no chamado Monte de Midas, em Górdio, possivelmente o túmulo de Górdias, pai de Midas. Com base nesses elementos, os pesquisadores dataram o sepultamento entre 740 e 690 a.C., período correspondente ao reinado do Rei Midas.
Cautela entre especialistas
Apesar disso, o próprio Erpehlivan reconhece que os objetos podem não indicar um enterro real direto. Uma das hipóteses é que se trate de um membro da elite local que mantinha vínculos com a família real, possivelmente por meio de trocas de presentes ou funções administrativas.
Especialistas externos também demonstram cautela. A arqueóloga Maya Vassileva afirma que as sítulas, por si só, não comprovam status real e considera mais plausível a interpretação de relações entre elites regionais. Ainda assim, ela avalia o túmulo de Karaağaç como uma evidência importante da complexidade política da Frígia antiga.