Consumo de cogumelo deixa 3 mortos e mais de 20 intoxicados na Califórnia

Condições climáticas, incluindo chuvas precoces e um outono ameno, teriam propiciado a proliferação de espécie tóxica de cogumelo no norte da Califórnia

Cogumelo da espécie Amanita phalloides - Crédito: Getty Images

A Califórnia vem enfrentado recentemente um preocupante aumento nos casos de intoxicação relacionados ao consumo de cogumelos silvestres, especificamente da espécie Amanita phalloides, também conhecida como chapéu-da-morte. De acordo com dados do Departamento de Saúde Pública da Califórnia (CDPH), entre 18 de novembro e 4 de janeiro, foram registrados 35 casos de envenenamento em todo o estado, um número alarmantemente superior à média histórica, que geralmente é inferior a cinco ocorrências.

No Condado de Sonoma, o falecimento de um homem neste mês motivou as autoridades locais a emitirem um alerta, recomendando à população que evite o consumo de cogumelos silvestres. Segundo informações do portal O Globo, o CDPH também informou que os casos recentes resultaram em três transplantes de fígado. Em comunicado publicado no dia 5 de janeiro, o órgão confirmou que as intoxicações estão diretamente relacionadas à coleta e ingestão da Amanita phalloides.

O médico Michael Stacey, diretor interino de saúde do Condado de Sonoma, destacou que as condições climáticas favoráveis, incluindo chuvas precoces e um outono ameno, propiciaram a proliferação dessa espécie tóxica no norte da Califórnia. Como ressalta o profissional, a semelhança visual e gustativa entre os cogumelos venenosos e os comestíveis aumenta o risco de engano, mesmo entre colecionadores experientes. “É preciso ser especialista para diferenciar um cogumelo venenoso de um não venenoso”, alertou Stacey durante entrevista à emissora KTVU.

Além disso, especialistas têm observado uma presença anormalmente alta de cogumelos em áreas urbanas e residenciais. Julie Schreiber, educadora e especialista em coleta de alimentos silvestres, comentou que a abundância deste ano levou muitas pessoas a tentarem colher cogumelos. “Mesmo após décadas de estudo e ensino, ainda há muita coisa que eu não sei”, reconheceu.

Alerta para amatoxinas

O CDPH esclarece que a Amanita phalloides contém amatoxinas que podem causar sintomas gastrointestinais como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal entre seis a 24 horas após a ingestão. Embora os sinais iniciais possam desaparecer temporariamente, criando uma falsa sensação de recuperação, complicações graves no fígado podem surgir entre 48 e 96 horas após a ingestão e levar à morte. O departamento enfatiza que métodos como cozinhar ou congelar não eliminam a toxicidade dos cogumelos.

O Distrito de Parques Regionais de East Bay reiterou os alertas sobre o aumento da Amanita phalloides e outras espécies perigosas como a Amanita ocreata, também conhecida como anjo-destruidor-ocidental, que representa riscos até para animais de estimação. A agência reforçou que a coleta de cogumelos é proibida em suas áreas e recomendou atenção especial às espécies tóxicas presentes na região da baía de São Francisco, como Galerina e Lepiota.

Espécie não é nativa

A Amanita phalloides não é nativa da Califórnia; sua introdução acidental ocorreu através das raízes de sobreiros europeus levados para a América do Norte. Desde então, essa espécie tem se espalhado pela Costa Oeste, especialmente em áreas com carvalhos. O CDPH continua monitorando as hospitalizações por envenenamento enquanto as autoridades pedem à população que evite o consumo desses cogumelos silvestres.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.