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Observatório chileno encontra asteroide gigantesco e recordista

Novo telescópio no Chile registra um asteroide enorme, girando tão rápido a ponto de desafiar o que se conhecia sobre essas rochas

Asteroide capa
Ilustração do asteroide 2025 MN45 - NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA/P. Marenfeld

O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, acaba de fazer uma descoberta impressionante com dados coletados em apenas sete noites de observações preliminares: um asteroide de enorme tamanho que gira mais rápido do que qualquer outro de tamanho similar já registrado. O achado foi relatado em um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e representa um marco inicial nas capacidades do novo observatório astronômico.

O objeto, nomeado 2025 MN45, tem cerca de 710 metros de diâmetro — maior do que muitos prédios altos na Terra — e completa uma rotação completa em cerca de 1,88 minutos (aproximadamente 113 segundos). Essa velocidade de rotação é a mais rápida já observada entre asteróides com mais de 500 metros de largura, superando recordes anteriores e desafiando as expectativas dos cientistas sobre como esses corpos rochosos se comportam.

Asteroide recordista

A descoberta foi possível devido à câmera LSST (Legacy Survey of Space and Time) do Vera C. Rubin — a maior câmera digital já construída — que está sendo usada para escanear repetidamente o céu noturno do Hemisfério Sul com alta cadência e sensibilidade. Esses dados permitem não apenas a detecção de objetos tênues e em movimento, como asteroides, mas também a medição detalhada de suas curvas de luz, que ajudam a determinar como e quão rápido eles giram.

O estudo revelou 19 asteróides super-ultra-rápidos entre os primeiros dados analisados, com o 2025 MN45 se destacando como o mais extremo do grupo. Essa combinação de tamanho e rotação sugere que sua estrutura interna deve ser bastante resistente ou que ele pode ter passado por processos evolutivos únicos durante sua história no cinturão principal de asteroides — a vasta região entre as órbitas de Marte e Júpiter onde grande parte dos asteróides do Sistema Solar está localizada.

O achado do Vera C. Rubin representa muito mais do que um simples novo registro: ele demonstra o enorme potencial do observatório para transformar a maneira como compreendemos pequenos corpos no Sistema Solar. Além de catalogar milhões de asteroides ao longo da missão de dez anos, o observatório permitirá estudos detalhados sobre a formação, evolução e dinâmica desses objetos, alguns dos quais podem cruzar a órbita da Terra ou oferecer pistas sobre as condições iniciais da nebulosa primordial que formou nosso sistema planetário.

Esse fenômeno também indica que o Vera C. Rubin já está cumprindo sua missão científica com grande eficácia mesmo antes do início formal da campanha de observação completa — algo que promete uma avalanche de descobertas astronômicas nos próximos anos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.