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Arqueólogos revelam necrópole romana intacta no sul da França

Descoberta em Narbonne revela túmulos preservados por sedimentos, permitindo o estudo detalhado de rituais e costumes da plebe na Gália Romana

Vista do drone da nécrópole antiga de Narbonne / Créditos: Divulgação / Inrap

Uma equipe de arqueólogos do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (Inrap) identificou uma necrópole romana de valor histórico inestimável nos arredores de Narbonne, no sul da França. A descoberta ocorreu durante escavações realizadas antes da construção de um novo empreendimento urbano na região.

Devido ao seu excelente estado de conservação, o local é considerado um marco para a arqueologia francesa e conta com um consórcio de financiamento público e privado para sua preservação. Historicamente, a importância do achado se justifica pela relevância da antiga Narbo Márcio.

Fundada em 125 a.C., a cidade foi a primeira colônia romana na Gália e se tornou uma das capitais provinciais mais prósperas do império, funcionando como um centro logístico estratégico no Mediterrâneo. Atualmente, os vestígios encontrados a cerca de 600 metros do núcleo urbano antigo revelam um espaço funerário de 2 mil metros quadrados que esteve em uso entre os séculos 1 e 2 d.C.

Preservação sob o lodo

Um dos diferenciais deste sítio é a sua preservação física. Localizado perto de um antigo braço do rio Aude, o terreno foi coberto por sucessivas camadas de lodo durante cheias antigas. Esse processo natural selou o solo e protegeu cerca de mil sepulturas sob três metros de sedimento.

Como resultado, os pesquisadores conseguem observar hoje uma organização urbana precisa, com lotes de alvenaria divididos por vias de serviço e pequenos monumentos decorados com gesso pintado.

A vida e os ritos da plebe

Além da estrutura física, o conteúdo das tumbas oferece dados inéditos sobre a vida das classes trabalhadoras romanas. Ao contrário de grandes monumentos de generais, os epitáfios encontrados em Narbonne documentam a existência de escravos e libertos, em sua maioria de origem italiana, de acordo com o comunicado do Inrap.

Nas sepulturas, os arqueólogos encontraram recipientes com cinzas acompanhados de objetos pessoais, como jarros de vidro, lâmpadas e perfumes.

Garrafas de vidro encontradas junto a restos ósseos de um falecido em um cofre de pedra na necrópole de Narbonne / Créditos: Divulgação / Inrap

Por fim, os estudos destacam a prática de rituais de libação. Em muitas tumbas, tubos de cerâmica conectavam a superfície ao interior da sepultura, permitindo que oferendas de vinho fossem entregues diretamente ao falecido.

Diante da riqueza de detalhes e rituais preservados, a necrópole de Narbonne já é comparada a sítios emblemáticos como Pompeia e Roma, tornando-se a nova referência para o estudo das práticas funerárias na Gália antiga.