Tumba etrusca intacta na Córsega revela práticas funerárias antigas
Escavação em Aléria revelaram um hipogeu preservado com artefatos e restos humanos, oferecendo nova visão sobre os rituais etruscos

Uma escavação em Aléria, na Córsega, recentemente revelou uma tumba etrusca subterrânea praticamente intacta, oferecendo assim novas informações sobre os rituais funerários da Antiguidade. A descoberta foi feita por arqueólogos do Inrap, em um sítio que, anteriormente, já havia registrado vestígios de uma necrópole etrusca e romana.
A necrópole, localizada a poucos metros da antiga cidade, se estende por cerca de um hectare e está cercada por antigas vias de circulação. Mesmo assim, o estado de conservação dos túmulos é considerado excepcional, considerando que o solo ácido da região normalmente destrói os ossos.
Entre os sepultamentos encontrados estão covas simples, caixões de alvenaria, caixões de madeira cravejados e piras funerárias. Além disso, até agora, mais de duzentos artefatos foram catalogados, incluindo cerca de cem vasos completos datados entre os séculos 3 a.C. e 3 d.C.
Hipogeu de alto status
O hipogeu recém-descoberto é uma câmara subterrânea de alto status. Uma escadaria leva a um corredor de seis metros, o qual conduz à câmara com mais de dois metros de profundidade. A entrada estava selada com argila, fragmentos de cerâmica, pedras e carvão. Pesquisadores acreditam que o selo foi aberto e fechado diversas vezes, possivelmente para permitir novos depósitos funerários e, consequentemente, a entrada de novos falecidos.

A escavação da câmara retangular de um metro quadrado revelou três cálices envernizados de preto, a alça de uma provável oenochoe e dois skyphos próximos ao crânio de um indivíduo. Com base nesses achados, o sepultamento é atribuído ao século 4 a.C., embora estudos adicionais ainda estejam em andamento. De acordo com informações repercutidas pelo Inrap, esta é a primeira descoberta de um hipogeu desse tipo na França em mais de quarenta anos.
Sítio histórico e pesquisa
Aléria é um sítio histórico de referência na Córsega, com vestígios romanos e etruscos que incluem fóruns, anfiteatros e a necrópole de Casabianda, a qual é considerada uma das mais ricas fora da Itália. A ilha, situada no Mar Tirreno, foi estratégica para etruscos, gregos e cartagineses, e registros históricos indicam que houve forte presença etrusca entre 500 a.C. e a conquista romana em 259 a.C.
O trabalho realizado em Aléria integra a arqueologia preventiva da região, sob a supervisão do Estado (DRAC) e da Collectivité de Corse. O projeto envolve mais de 70 pesquisadores e tem como objetivo preservar o patrimônio histórico da Córsega e torná-lo acessível ao público, principalmente por meio dos museus da ilha.