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Espécie rara de ‘lanterna-de-fada’ é descoberta na Malásia; mas já pode estar ameaçada

Nova espécie rara de 'lanterna-de-fada' denominada Thismia selangorensis foi descoberta em floresta na Malásia; mas já pode estar ameaçada de extinção

Registros da nova espécie de "lanterna-de-fada" descoberta na Malásia / Crédito: Divulgação/Gim Siew Tan

Nas profundezas de florestas úmidas ao redor do mundo, plantas raras e diminutas permanecem escondidas sob a terra, surgindo ocasionalmente com flores que encantam pela beleza. Essas delicadas estruturas, conhecidas como “lanternas-de-fada“, pertencem ao gênero Thismia.

Apesar do nome etéreo, essas plantas podem ser vistas como verdadeiros monstros no mundo biológico. Sem a clorofila necessária para realizar a fotossíntese, elas se alimentam à custa de fungos subterrâneos, roubando nutrientes essenciais para sua sobrevivência.

Até o momento, pesquisadores conheciam 120 espécies desse intrigante gênero. Recentemente, uma nova espécie denominada Thismia selangorensis foi descoberta em um local recreativo na Malásia, conforme publicado em novembro na revista PhytoKeys. Contudo, com menos de 20 indivíduos identificados até agora, essa planta é considerada criticamente ameaçada, repercute a Smithsonian Magazine.

Descoberta surpreendente

A naturalista e co-autora do estudo, Gim Siew Tan, avistou pela primeira vez a nova espécie próxima às raízes de uma árvore às margens de um rio em uma área popular para piqueniques. As plantas, que alcançam cerca de 10 centímetros de altura, apresentam flores que emergem do solo formando estruturas semelhantes a guarda-chuvas em tom pêssego, conhecidas como mitres. Além disso, três apêndices semelhantes a antenas com extremidades em forma de clava se projetam verticalmente a partir do centro de cada mitre.

Tan registrou imagens de sua descoberta incomum e as publicou na plataforma de ciência iNaturalist. As fotos chamaram a atenção da co-autora Mat Yunoh Siti-Munirah, botânica do Instituto de Pesquisa Florestal da Malásia, conforme repercutiu o New York Times. A pesquisadora rapidamente percebeu que se tratava de uma espécie não documentada na literatura científica.

Pesquisas subsequentes realizadas por Siti-Munirah, Tan e seus colegas revelaram a presença de menos de 20 indivíduos da espécie na área, reconhecíveis pelas flores únicas e raízes em forma de coral. O nome da nova espécie foi escolhido em homenagem ao local da descoberta, o estado malaio de Selangor, onde apenas duas espécies do gênero Thismia eram conhecidas anteriormente.

Siti-Munirah afirmou em comunicado: “Esta descoberta demonstra que achados científicos significativos não se limitam a selvas remotas; eles também podem ser feitos em ambientes comuns, onde a constante atividade humana deixa pouco espaço para expectativas.”

O botânico Michal Sochor da Universidade Palacký, na República Tcheca e que não participou do estudo, destacou que a característica mais notável desta lanterna-de-fada é seu mitre “extraordinariamente largo”. Essa forma pode auxiliar a planta a manter água e detritos afastados de sua estrutura interna. Além disso, os três apêndices alongados podem emitir substâncias químicas durante o período de floração.

Proteção da espécie

Os autores do estudo ressaltam que a flor é pequena e suscetível a estresses como o pisoteio causado por visitantes ou inundações provocadas pelo rio nas proximidades. Siti-Munirah enfatizou a necessidade urgente de proteger essa planta que está provisoriamente classificada como criticamente ameaçada pela União Internacional para Conservação da Natureza. “A proteção da Thismia selangorensis exigirá a cooperação entre pesquisadores, o departamento florestal, as partes interessadas e o público, pois sua sobrevivência depende de quão cuidadosos formos em seu habitat”, declarou.

Ela acrescentou ainda: “o esforço mais importante agora é conscientizar as pessoas sobre essa espécie para que elas percebam que ela existe — bem aqui, neste pequeno canto do mundo, e em nenhum outro lugar, pelo menos por enquanto. Compreender sua presença é o primeiro passo para garantir que essa planta extraordinária não se perca antes mesmo que muitas pessoas saibam que ela existe.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.