Araras e papagaios eram usados em cerimônias nos antigos pueblos do sudoeste dos EUA
Estudo recente analisou a importância das araras e papagaios na vida social e cerimonial das antigas comunidades Pueblo em Chaco Canyon, no sudoeste dos EUA

Um recente estudo se propôs a pesquisar a importância das araras e papagaios na vida social e cerimonial das antigas comunidades Pueblo em Chaco Canyon, no sudoeste dos Estados Unidos. Ao analisar restos de aves juntamente com registros arquivísticos, o estudo oferece uma visão detalhada sobre como essas aves eram tratadas e depositadas nos sítios chacoanos.
Chaco Canyon, vale destacar, foi habitado entre o século 9 e o século 12, período que coincide com o surgimento das imponentes construções de alvenaria conhecidas como Casas Grandes. Embora os restos de araras e papagaios tenham fascinado pesquisadores por décadas, a última análise sobre esses materiais foi realizada há mais de cinquenta anos. O presente estudo revisita esses dados antigos utilizando métodos modernos de zooarqueologia e reconstrução contextual.
O que a análise revelou
A nova análise identificou os restos de 45 aves provenientes de cinco diferentes sítios dentro do cânion. A maioria dessas aves era composta por araras escarlates, além de um pequeno número de papagaios-de-bico-grosso, espécie não nativa da região, que indicam a possibilidade de aquisição a longas distâncias. A maior parte dos achados foi feita nas Casas Grandes, especialmente em Pueblo Bonito, o maior e mais estudado edifício chacoano. Neste local, arqueólogos descobriram dezenas de araras em grandes salas rebocadas, que frequentemente apresentavam características térmicas, sugerindo um esforço consciente para manter as aves aquecidas em um ambiente hostil.
De acordo com informações do portal Archaeology News, vários desses ambientes exibiam sinais claros de que aves vivas foram mantidas ali por períodos prolongados. Os especialistas notaram a presença de camadas espessas de fezes, restos alimentares e estruturas semelhantes a poleiros, o que evidencia que as araras habitavam esses espaços não apenas temporariamente ou para serem processadas. As idades dos indivíduos variavam, de filhotes a aves com mais de vinte anos, o que indica um cuidado a longo prazo.
Ademais, é relevante destacar que nenhum dos milhares de ossos analisados apresentava sinais de corte, reforçando a hipótese de que as araras não eram predominantemente criadas para consumo alimentar e provavelmente foram depositadas inteiras após a morte.
O estudo também revelou a presença de restos de pegas (aves da família corvidae) ao lado das araras, que podem refletir qualidades simbólicas compartilhadas como coloração vibrante ou habilidade vocal. No geral, as descobertas sugerem que as araras eram importantes culturalmente, sendo associadas a simbolismos relacionados ao sol, à chuva, às cores e à direcionalidade, que ainda são relevantes em muitas tradições Pueblo.