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Japão retoma operações da maior usina nuclear do mundo 15 anos após Fukushima

Fechada desde o desastre de Fukushima, a usina de Kashiwazaki-Kariwa recebeu aval político e terá o primeiro reator religado em janeiro

Vista geral da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, operada pela TEPCO, na província de Niigata, no Japão / Créditos: Getty Images

Em 20 de janeiro, a maior usina nuclear do mundo volta a operar no Japão. A central de Kashiwazaki-Kariwa estava fechada desde o terremoto e tsunami de 2011, que destruíram a usina de Fukushima Daiichi e provocaram o pior desastre nuclear desde Chernobyl.

A retomada foi confirmada nesta semana pelo presidente da Tokyo Electric Power Company (TEPCO), empresa responsável pela unidade. Segundo a companhia, o primeiro reator será religado após a conclusão das etapas finais de segurança e inspeção, marcando um novo capítulo na política energética japonesa.

Aval político e reação local

Segundo informações repercutidas pelo g1, a decisão ocorre após aval das autoridades da província de Niigata, onde a usina está localizada. Com isso, foi removido o principal entrave político para o reinício das operações, que vinham sendo discutidas há anos em meio à resistência de parte da população local.

Ainda assim, o retorno da central acontece sob cautela. Nos últimos meses, moradores e grupos civis expressaram preocupação com a capacidade da TEPCO de operar a usina de forma segura, relembrando falhas apontadas após o desastre de 2011. Protestos chegaram a ser registrados antes da aprovação final, com manifestantes pedindo que as lições de Fukushima não fossem esquecidas.

Energia nuclear e estratégia do governo

Por outro lado, o governo japonês vê a retomada como estratégica. O país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, que atualmente respondem por grande parte da geração de eletricidade. Além disso, autoridades alertam para um aumento da demanda energética nos próximos anos, impulsionado pela expansão de data centers e tecnologias ligadas à inteligência artificial.

Nesse contexto, a energia nuclear voltou a ser defendida como uma alternativa para garantir estabilidade no fornecimento e avançar nas metas de descarbonização. A expectativa é que a reativação de Kashiwazaki-Kariwa contribua de forma significativa para o abastecimento da região metropolitana de Tóquio.

Apesar do avanço, o debate permanece sensível no Japão. Quase 15 anos após Fukushima, a retomada da maior usina nuclear do planeta reacende discussões sobre segurança, confiança pública e os riscos associados à energia atômica.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli