Trump rebatiza o Kennedy Center com seu nome e gera debate
A decisão de Trump de inserir o próprio nome em um memorial federal dedicado a JFK levanta dúvidas sobre legalidade, tradição e uso político

O presidente Donald Trump rebatizou o Kennedy Center, anexando seu nome ao histórico memorial de artes cênicas de Washington. A medida é mais um episódio de uma série de ações recém-tomadas pelo presidente sem a aprovação do Congresso americano.
Além disso, em 17 de dezembro, Trump mandou fixar mensagens abaixo dos retratos de ex-presidentes em um corredor da Casa Branca. No entanto, as biografias, escritas sob a ótica de seu governo, foram interpretadas por críticos mais como provocações do que como homenagens.
Mudança inédita
Com a mudança, o local, que é uma instituição federal, passou a se chamar Trump–Kennedy Center. A decisão de homenagear um presidente ainda em exercício é inédita. Embora ações desse tipo já não causem surpresa durante o governo Trump, a medida levanta dúvidas sobre sua legalidade, já que alterações no nome de um memorial federal exigiriam aprovação do Congresso americano.
Today, we proudly unveil the updated exterior designation—honoring the leadership of President Donald J. Trump and the enduring legacy of John F. Kennedy. 🇺🇸
The Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts pic.twitter.com/ALEE59pkZ9
— The Trump Kennedy Center (@kencen) December 19, 2025
No início do ano, em fevereiro, Trump reformulou completamente o conselho curador do Kennedy Center, que passou a ser presidido por ele. De acordo com informações repercutidas pelo G1, a nova composição inclui Usha Vance, esposa do vice-presidente, e a chefe de Gabinete da Casa Branca, Suzie Wiles, que votaram automaticamente pela renomeação da entidade.
Apesar disso, Trump afirmou ter sido surpreendido pela homenagem. “Bem, fiquei honrado. É um conselho muito distinto, composto pelas pessoas mais ilustres do país. E fiquei surpreso. Fiquei honrado”, declarou o presidente.
Reações e críticas
Nas redes sociais, a jornalista e escritora Maria Shriver, sobrinha do ex-presidente americano John F. Kennedy, manifestou indignação diante da mudança. Ela se juntou a historiadores, lideranças democratas e membros do clã Kennedy que se opuseram à alteração do nome do local.
Será que não conseguimos ver o que está acontecendo aqui? Vamos lá, meus compatriotas americanos! Acordem! Isso não é digno. Isso não tem graça. Isso está muito abaixo da estatura do cargo. É simplesmente bizarro. É obsessivo de um jeito estranho. Justo quando você pensa que alguém não pode se rebaixar mais, essa pessoa se rebaixa”, postou Shriver nas redes sociais, referindo-se ao presidente Trump.
Em 1964, o Kennedy Center foi batizado em homenagem ao presidente assassinado no ano anterior, por meio de uma lei aprovada pelo Congresso. A legislação também proíbe o conselho administrativo de transformá-lo em memorial dedicado a qualquer outra pessoa.
Em comunicado conjunto, os líderes democratas na Câmara e no Senado, Hakeem Jeffries e Chuck Schumer, questionaram a legalidade da mudança de nome e sinalizaram que a medida pode ser apenas a primeira de uma série de ações do atual presidente, indicando que novos embates ainda estão por vir.
Apesar das críticas, a alteração já entrou em vigor. O site oficial do centro foi atualizado e, desde sexta-feira, 19, a fachada passou a exibir o nome de Trump adicionado acima do de seu antecessor.