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Há 57 anos, o enigmático ‘Assassino do Zodíaco’ cometia seus primeiros crimes

No dia 20 de dezembro de 1968, o casal David Arthur Faraday e Betty Lou Jensen foi assassinado pelo temido 'Assassino do 'Zodíaco' na região da baía de São Francisco

Retrato falado do Assassino do Zodíaco
Retrato falado do Assassino do Zodíaco - Divulgação/San Francisco Police Department

Ao longo de cerca de um ano, o Assassino do Zodíaco aterrorizou a região da baía de São Francisco, deixando ao menos cinco vítimas fatais oficialmente atribuídas a ele. O primeiro ataque ocorreu em 20 de dezembro de 1968, quando o casal David Arthur Faraday e Betty Lou Jensen foi assassinado.

Os dois passeavam de carro pela cidade de Vallejo, na Califórnia, quando foram surpreendidos por um homem desconhecido que estacionou seu veículo próximo ao deles e abriu fogo. O ataque aconteceu à noite e ambos morreram no local.

Em 4 de julho de 1969, outro casal foi alvo do criminoso, novamente em Vallejo. Michael Renault Mageau e Darlene Elizabeth Ferrin estavam dentro de um carro quando um homem que os seguia há algum tempo se aproximou, sacou uma pistola e disparou várias vezes. Darlene morreu imediatamente, enquanto Michael, gravemente ferido, conseguiu sobreviver.

Pouco depois do ataque, a polícia de Vallejo recebeu uma ligação anônima. O autor do telefonema descreveu com precisão o local do crime e assumiu a autoria do assassinato, dando início à construção do mito em torno do Zodíaco.

Cartas do assassino

Conforme informações do CanalTech, nos meses seguintes, o assassino passou a enviar cartas aos principais jornais de São Francisco, reivindicando os crimes e buscando notoriedade pública. Nas correspondências, incluía detalhes que apenas o autor dos assassinatos poderia conhecer, além de mensagens criptografadas que, segundo ele, revelariam sua verdadeira identidade.

Com o apoio da polícia, os jornais publicaram os códigos na esperança de que fossem decifrados. Embora algumas mensagens tenham sido solucionadas, nenhuma levou à identificação do criminoso. A divulgação, porém, ampliou o pânico na população e consolidou a fama do assassino, que em uma dessas cartas adotou oficialmente o nome Zodíaco.

Novas vítimas

Em 27 de setembro de 1969, o criminoso voltou a atacar. Bryan Hartnell e Cecelia Shepard faziam um piquenique quando foram surpreendidos pelo assassino, que vestia um traje macabro: roupas escuras e um capuz preto estampado com seu símbolo — uma cruz dentro de um círculo. O Zodíaco amarrou o casal e os esfaqueou repetidamente. Bryan sobreviveu, mas Cecelia morreu dias depois em decorrência dos ferimentos.

Algum tempo depois, em 22 de março de 1970, o assassino protagonizou um novo episódio ao sequestrar Kathleen Johns e seu filho pequeno. Fingindo ajudá-la, ele conseguiu que a jovem entrasse em seu carro e, em seguida, passou a ameaçá-la de morte. Em um momento de desespero, Kathleen saltou do veículo com a criança e conseguiu se esconder em uma área de mata. Posteriormente, ela procurou a polícia e afirmou reconhecer o retrato falado do Zodíaco como o homem responsável pelo sequestro.

Nos meses seguintes, o criminoso passou a direcionar suas cartas ao jornalista Paul Avery, repórter que investigava o caso, ameaçando-o de morte e alegando a existência de outras vítimas. Apesar das intimidações, os assassinatos cessaram. Enquanto alguns acreditam que o Zodíaco tenha mudado de local ou de método, outros defendem que ele simplesmente parou de matar.

Com o tempo, a comunicação entre o assassino e a imprensa foi diminuindo até desaparecer por completo. Oficialmente, o Zodíaco é responsabilizado pela morte de sete pessoas, embora ele próprio tenha afirmado, em suas cartas, ter assassinado ao menos 37 vítimas.

Assassino identificado?

No ano de 2023, o caso voltou ao centro das atenções após um jornalista investigativo afirmar que o FBI teria identificado o homem suspeito de ser o lendário Assassino do Zodíaco. Na época, o jornalista Thomas Colbert declarou que um denunciante do FBI havia confirmado que Gary Francis Poste, veterano da Força Aérea dos Estados Unidos, passou a constar oficialmente como suspeito do caso. De acordo com Colbert, laboratórios da agência mantêm uma amostra de DNA parcial atribuída a Poste, que o ligaria aos assassinatos cometidos no final da década de 1960. Poste morreu em 2018.

Segundo o portal Monet, em comunicado, a organização The Case Breakers, fundada por Colbert, afirmou que Poste teria sido listado de maneira confidencial como suspeito do Zodíaco nos sistemas internos do FBI desde 2016. A agência, no entanto, nega que o caso tenha sido solucionado e sustenta que a investigação permanece aberta, tendo sido formalmente reativada em outubro de 2021. Em 2020, pesquisadores independentes conseguiram decifrar uma das mensagens criptografadas enviadas pelo assassino, em um trabalho que levou cerca de 14 anos.

Foi em 2021 que os Case Breakers tornaram pública a identificação de Poste — já falecido — como possível autor dos crimes que aterrorizavam o norte da Califórnia no fim dos anos 1960. O grupo, composto por aproximadamente 40 detetives independentes, revelou ainda que Poste teria doado armas e munições antes de sua morte, o que poderia contribuir para a confirmação de sua identidade como o Zodíaco.

Segundo a equipe, os objetos foram deixados em seus “locais favoritos”, sem que se saiba ao certo se o gesto teve a intenção deliberada de deixar pistas para uma identificação póstuma. Em nota, os investigadores afirmaram que, ao apresentar o nome de Poste às autoridades na primavera anterior, enfrentaram resistência e falta de cooperação por parte de cinco departamentos policiais e agências estaduais. Posteriormente, contudo, Colbert afirmou ter recebido informações de fontes antigas da cidade onde Poste viveu, indicando a existência de evidências relevantes.

Mais detalhes

O comunicado detalha que, alguns anos antes de morrer aos 80 anos, Poste teria distribuído discretamente armas, peças de pistolas, pólvora, balas e cartuchos — mais de mil itens, envolvendo 25 calibres diferentes. De acordo com antigos conhecidos, a maior parte desse material permaneceu guardada em porões e armários, sem ser tocada, desde então.

Colbert reuniu e encaminhou o material para análise em laboratórios de três estados distintos, afirmando acreditar que as provas permitem identificar o Assassino do Zodíaco mais de cinco décadas após os crimes. Em entrevista concedida em 2021, ele disse que seus contatos no FBI consideram a correspondência “irrefutável”. O jornalista também alegou que seis pessoas teriam ouvido confissões diretas de Poste, três das quais prestaram depoimentos formais, além de apontar semelhanças entre diferentes cenas de crime, incluindo o caso de Riverside.

Por fim, a equipe utilizou comparações fotográficas, analisando uma cicatriz específica atribuída ao Zodíaco e confrontando-a com imagens conhecidas de Poste. Com base nesse conjunto de indícios, os investigadores solicitaram ao FBI a realização de testes adicionais de DNA para confirmar oficialmente as conclusões.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.