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Bafo de baleias do Ártico carrega vírus mortal, aponta novo estudo

Pesquisadores confirmaram, por meio do uso de drones, a circulação do morbilivírus cetáceo, um agente patogênico potencialmente letal

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

Pesquisadores realizaram uma descoberta importante ao utilizar drones equipados com placas de Petri esterilizadas para capturar e analisar o ar exalado de baleias selvagens no Círculo Polar Ártico. Essa técnica inovadora permitiu a confirmação da circulação do morbilivírus cetáceo, um agente patogênico potencialmente letal para esses mamíferos marinhos.

A metodologia foi aplicada a três espécies de cetáceos: as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae), cachalotes (Physeter macrocephalus) e baleias-comum (Balaenoptera physalus). O uso de drones representa um avanço significativo na pesquisa sobre a saúde desses animais, eliminando a necessidade de captura ou procedimentos invasivos, conforme destacou Terry Dawson, professor do King’s College London e um dos autores do estudo.

Entre 2016 e 2025, a equipe coletou amostras em locais como o norte da Noruega, Islândia e Cabo Verde. Durante as operações, os drones eram posicionados sobre os espiráculos das baleias, capturando gotículas respiratórias que foram analisadas em laboratório.

Além das amostras respiratórias, foram complementadas com secreções nasais e biópsias de pele. Os resultados dessa pesquisa foram divulgados na revista BMC Veterinary Research no dia 18 de outubro.

Presença de vírus

A análise laboratorial identificou a presença do morbilivírus cetáceo em grupos de baleias-jubarte na Noruega, em um cachalote debilitado e em uma baleia-comum encalhada. Este vírus é altamente contagioso e pode causar graves danos respiratórios, neurológicos e imunológicos em cetáceos.

De acordo com o portal Galileu desde sua identificação em 1987, o morbilivírus tem sido associado a vários eventos de encalhe e mortalidade em massa entre os cetáceos globalmente. A confirmação de sua presença em áreas árticas é motivo de preocupação, especialmente durante os períodos de alimentação no inverno, quando diversas espécies marinhas se reúnem em regiões limitadas.

Uma característica alarmante do morbilivírus é sua capacidade de transmissão rápida entre diferentes espécies de cetáceos, permitindo sua propagação ao longo das rotas migratórias e conectando populações distantes. Além disso, o vírus pode ser difícil de detectar precocemente, pois os sinais clínicos iniciais são muitas vezes discretos, favorecendo uma disseminação silenciosa antes que os sintomas se tornem evidentes.

A infecção por morbilivírus compromete ainda mais o sistema imunológico dos cetáceos infectados, tornando-os vulneráveis a outras infecções secundárias. Essa interação entre patógenos pode exacerbar surtos e levar a mortalidades significativas.

Não há tratamento

No que diz respeito à gestão ambiental, não existem atualmente tratamentos ou vacinas disponíveis para as populações selvagens de cetáceos. Portanto, a vigilância contínua é a única estratégia viável para identificar precocemente a circulação do vírus.

A detecção do morbilivírus nas regiões árticas suscita preocupações sobre como essas áreas, anteriormente consideradas isoladas, podem agora fazer parte da dinâmica global de propagação desse patógeno, afetando negativamente espécies já ameaçadas por mudanças ambientais rápidas.

Os pesquisadores também encontraram herpesvírus em baleias-jubarte na Noruega, Islândia e Cabo Verde. No entanto, não houve detecção do vírus da gripe aviária ou da bactéria Brucella sp., previamente associadas a encalhes.

O estudo enfatiza a necessidade urgente de monitoramento integrado da saúde dos oceanos. Os cientistas alertam que vírus altamente patogênicos podem interagir com outros estressores ambientais como mudanças climáticas e poluição.

A expectativa é que o uso sistemático de drones melhore a detecção precoce de ameaças sanitárias antes que elas afetem amplamente as populações. Helena Costa, autora principal do estudo e pesquisadora da Nord University, reforçou: “Daqui para frente, a prioridade é continuar usando esses métodos para monitoramento em longo prazo. Precisamos entender como múltiplos fatores de estresse emergentes irão moldar a saúde das baleias nos próximos anos.”

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.