Elefanta morre 5 meses após chegar a santuário no Mato Grosso
Elefanta Kenya havia sido transferida do Ecoparque de Mendoza, na Argentina, para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso

A elefanta Kenya, que havia sido transferida do Ecoparque de Mendoza, na Argentina, para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, faleceu na última terça-feira, 16, aos 44 anos de idade. A morte ocorreu cinco meses após a mudança para o santuário.
De acordo com informações disponíveis no site da instituição, nos últimos anos, outros quatro elefantes que passaram pelo santuário também faleceram em um curto período após a transferência. O santuário é conhecido por acolher elefantes que viveram longos anos em cativeiro, proporcionando um ambiente mais adequado às suas necessidades.
A elefanta Pupy chegou ao santuário em abril deste ano, proveniente do Ecoparque de Buenos Aires, e faleceu em outubro aos 35 anos. O Laboratório de Patologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) está realizando autópsias e informou que os laudos podem levar até 90 dias para serem divulgados.
Outros animais
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, além de Kenya e Pupy, outros dois animais também perderam a vida logo após serem transferidos: Pocha foi trazida em maio de 2022 e faleceu em outubro do mesmo ano aos 57 anos; Ramba morreu em dezembro de 2019, apenas dois meses após sua chegada ao santuário, com idade estimada entre 60 e 65 anos.
Em contrapartida, Guida viveu quase três anos no local, sendo transferida em outubro de 2016 e falecendo em junho de 2019 aos 44 anos. A elefanta Lady permaneceu ainda mais tempo no santuário: chegou em 2019 e faleceu em 2024 com 52 anos.
No momento, cinco fêmeas da espécie asiática habitam o santuário: Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina. Apesar das perguntas sobre as causas das mortes recentes e os protocolos de atendimento veterinário adotados, a instituição não forneceu informações detalhadas à imprensa e se recusou a compartilhar os laudos das autópsias.
Após receber questionamentos da reportagem, o santuário divulgou uma nota em suas redes sociais abordando as mortes das elefantas Kenya e Pupy. No comunicado, a entidade ressalta que muitos apoiadores reconhecem o impacto negativo do cativeiro e afirmam que os cuidados veterinários oferecidos no local são incomparáveis na América do Sul.
Tuberculose avançada
Informações preliminares sobre a autópsia de Kenya indicam uma alta probabilidade de tuberculose avançada. Já a necropsia de Pupy não apontou para essa condição. A instituição destacou a importância da coleta de dados para aprimorar continuamente os cuidados oferecidos aos animais.
O laboratório da UFMT informou que não divulga informações sobre prontuários devido a um termo de confidencialidade que impede a liberação de qualquer dado relacionado às visitas de profissionais ao santuário.
Em suas redes sociais, o santuário compartilha vídeos e fotos das elefantas, que frequentemente recebem grande interação do público. No entanto, diversos usuários têm levantado questionamentos acerca das mortes frequentes logo após as transferências.
O biólogo Igor Morais, especialista em comportamento animal e ex-membro da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, comentou sobre a situação. Segundo ele, até o momento não há evidências que indiquem erro médico ou negligência nas ocorrências. “No caso de um zoológico ou santuário, se essa instituição recebe muitos animais vindos de resgate, apreensões ou de cuidados inadequados, é esperado que vá ter um número de óbitos maior”, concluiu.