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Raro medalhão de 1.300 anos é descoberto perto do Monte do Templo, em Jerusalém

Escavação na área do Monte do Templo, na Cidade de Davi, em Jerusalém, revelou um medalhão raro de 1.300 anos decorado com menorás de sete braços

Medalhão descoberto em Jerusalém / Crédito: Divulgação/Fundação Cidade de David/Eliyahu Yanai

Uma equipe de arqueólogos em Jerusalém fez uma descoberta notável recentemente, ao desenterrar um medalhão de chumbo com 1.300 anos, adornado com a imagem de uma menorá de sete braços, o candeeiro cerimonial associado ao período do Segundo Templo. Este artefato histórico foi encontrado em um local que, na época, era controlado pelo Império Bizantino Cristão.

Estudos preliminares indicam que o medalhão pode ter pertencido a um judeu entre os séculos 6 e 7, período marcado pela dominância bizantina na região antes da cidade ser tomada pelos persas sassânidas em 614 e posteriormente por invasores árabes em 638.

De acordo com um comunicado da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), o objeto foi encontrado na área do sítio arqueológico “Cidade de Davi“, localizado perto do canto sudoeste do Monte do Templo, que atualmente abriga vários locais sagrados islâmicos conhecidos como “al-Haram al-Sharif”.

Ayu Belete, trabalhador arqueológico da Fundação Cidade de Davi, relatou: “Um dia, enquanto escavava dentro de uma estrutura antiga, de repente vi algo diferente, cinza, entre as pedras. Peguei o objeto e vi que era um pingente com uma menorá“.

A descoberta surpreendeu os especialistas, pois a entrada dos judeus na cidade estava restrita na época. Séculos antes, a Revolta de Bar Kochba (132-136 d.C.), a terceira grande rebelião contra o domínio romano na Judeia, resultou na proibição da presença judaica em Jerusalém. O imperador romano Adriano rebatizou a cidade como “Aelia Capitolina” e renomeou a província circundante para Síria-Palestina, uma referência aos filisteus, inimigos bíblicos dos israelitas.

Descoberta rara

O medalhão recém-descoberto foi encontrado dentro de um edifício da era bizantina tardia, coberto por uma espessa camada de detritos resultantes das obras realizadas pelos governantes omíadas da cidade após a conquista islâmica. O artefato é circular e possui uma alça na parte superior. Ambas as faces apresentam a imagem da menorá utilizada exclusivamente no Segundo Templo de Jerusalém, que foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C. O formato atual da menorá de nove braços é utilizado durante o Hanucá.

Medalhão descoberto em Jerusalém / Crédito: Divulgação/Autoridade de Antiguidades de Israel/Emil Aladjem

A preservação é desigual: enquanto um lado do medalhão se encontra bem conservado, o outro apresenta uma patina natural decorrente da erosão. Análises revelam que ele foi fabricado quase inteiramente em chumbo.

O comunicado da IAA destaca que apenas um outro medalhão semelhante com a simbologia da menorá foi encontrado anteriormente. Os arqueólogos Yuval Baruch, Filip Vukosavović, Esther Rakow-Mellet e Shulamit Terem enfatizaram: “Um pingente feito de chumbo puro, decorado com uma menorá, é uma descoberta excepcionalmente rara. A dupla aparição da menorá em cada lado do disco indica o profundo significado deste símbolo”.

No período bizantino, os judeus enfrentavam restrições severas para acessar a cidade, porém especialistas como Günter Stemberger, professor emérito de Estudos Judaicos na Universidade de Viena, apontam que essas proibições eram ocasionalmente relaxadas e muitos judeus habitavam cidades e regiões próximas, repercute o Live Science.

As motivações para possuir tais medalhões permanecem incertas. A equipe arqueológica levantou questionamentos no comunicado: “Seriam objetos pessoais de judeus que vieram à cidade por diversos motivos — talvez comerciantes, ou pessoas em missões administrativas, ou indivíduos que vieram à cidade como peregrinos secretos e em circunstâncias não oficiais?”

Baruch ressaltou que a descoberta do medalhão sugere que mesmo em períodos em que foram emitidos decretos imperiais que proibiam a residência judaica em Jerusalém, muitos continuavam a frequentar a cidade. Além disso, ele destacou que a composição em chumbo do artefato indica que ele provavelmente era usado como amuleto e não como joia comum: “o chumbo era considerado um material comum e particularmente popular para a confecção de amuletos naquela época”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.