Salvador Dalí, o grande nome do Surrealismo, que faleceu há 37 anos
Salvador Dalí, uma das figuras mais singulares da arte do século 20, faleceu em 23 de janeiro de 1989, em Figueres, sua cidade natal

Salvador Felipe Jacinto Dalí i Domènech, mais conhecido como Salvador Dalí, foi um dos maiores nomes da arte surrealista e uma das figuras mais singulares da arte do século 20. Desde cedo, o pintor nascido na pequena cidade agrícola de Figueres, Espanha, em 11 de maio de 1904, demonstrou talento artístico, ingressando ainda jovem na Academia de Belas Artes de San Fernando, em Madri.
O reconhecimento veio rápido: em 1925, realizou sua primeira exposição individual em Barcelona. Três anos depois, alcançou projeção internacional quando três de suas obras, entre elas “A Cesta de Pão”, foram apresentadas na terceira Exposição Internacional Carnegie, em Pittsburgh. Em 1929, realizou sua primeira mostra individual em Paris, passando a integrar o círculo dos surrealistas, liderado pelo ex-dadaísta André Breton.
Foi nesse contexto que Dalí conheceu Gala Éluard, que visitou Cadaqués acompanhando o marido, o poeta Paul Éluard. Gala tornou-se não apenas sua amante, mas também musa, administradora e principal inspiração, desempenhando um papel decisivo em sua trajetória artística. Logo, Dalí ganharia destaque como uma das figuras centrais do Surrealismo. Sua pintura “A Persistência da Memória”, marcada pelos famosos relógios moles, tornou-se uma das imagens mais icônicas do movimento e da arte moderna.
Surgem tensões
Com a aproximação da Segunda Guerra Mundial, porém, surgiram tensões entre Dalí e o grupo surrealista. Apolítico e resistente a alinhamentos ideológicos, o artista acabou sendo “expulso” do movimento após um julgamento simbólico em 1934. Ainda assim, continuou participando de exposições surrealistas internacionais ao longo da década. A partir dos anos 1940, porém, seu trabalho começou a se afastar do Surrealismo ortodoxo, passando a incorporar temas ligados à ciência, à história e à religião.
Durante a guerra, Dalí e Gala decidiram deixar a Europa para viver nos Estados Unidos. Esse período, que durou de 1940 a 1948, foi decisivo para sua consagração internacional. Em 1941, o Museu de Arte Moderna de Nova York realizou sua primeira grande retrospectiva e, no ano seguinte, veio a publicação de sua autobiografia, “A Vida Secreta de Salvador Dalí”. Já em sua fase clássica, produziu uma série de dezenove grandes telas, entre elas “O Toureiro Alucinógeno”, “A Descoberta da América por Cristóvão Colombo e “A Última Ceia”.
Em 1974, Dalí inaugurou o Teatro-Museu de Figueres, concebido como uma obra de arte total. Após a morte de Gala, em 1982, sua saúde entrou em declínio, sendo ainda agravada por um incêndio ocorrido em sua residência em Púbol, em 1984. Dois anos depois, um marca-passo foi implantado. Os últimos anos, vivido entre Púbol e a Torre Galatea, foram marcados pelo isolamento. O artista faleceu em 23 de janeiro de 1989, em Figueres, vítima de insuficiência cardíaca com complicações respiratórias.