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O motivo pelo qual a Rede Internacional de Alerta de Asteroides está monitorando o 3I/ATLAS

A Rede Internacional de Alerta de Asteroides da ONU está monitorando de perto o cometa 3I/ATLAS, descoberto em junho deste ano

Mais de 80 observadores se inscreveram para rastrear o cometa 3I/ATLAS - Crédito: Divulgação/Josep M. Trigo-Rodríguez/B06 Observatório Montseny

O cometa interstelar 3I/ATLAS está se preparando para sua aproximação mais próxima da Terra, prevista para o dia 19 de dezembro, e está sob vigilância não apenas de agências espaciais, mas também das Nações Unidas.

Este cometa, que passará a aproximadamente 267 milhões de quilômetros do nosso planeta, será monitorado por telescópios ao redor do mundo, permitindo que os astrônomos localizem sua posição e façam previsões sobre objetos similares no futuro.

Campanha de observação

A Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) da ONU está em meio à sua campanha de observação do 3I/ATLAS e espera publicar suas conclusões em uma revista revisada por pares no próximo ano.

James Bauer, investigador principal do pequeno corpo da IAWN e professor de pesquisa no departamento de astronomia da Universidade de Maryland, informou que a rede conta com mais de 80 observatórios e cidadãos cientistas realizando pesquisas ativas sobre objetos próximos à Terra, como cometas e asteroides. De acordo com ele, a NASA coordena as campanhas de observação da IAWN.

Conforme ressalta o portal Live Science, o 3I/ATLAS é o primeiro objeto interestelar monitorado desde o início dessas campanhas em 2017. Vale destacar que o asteroide Apophis, potencialmente perigoso e próximo à Terra, foi observado pela IAWN em 2020 e 2021, e uma nova campanha está prevista para o período entre 2027 e 2029, quando o asteroide fará uma aproximação segura, mas próxima da Terra.

Bauer comentou que “a ideia por trás dessas campanhas é realmente fortalecer as capacidades técnicas para medir posições no céu, o que chamamos de astrometria, para asteroides e cometas.” Os investigadores estarão testando uma nova técnica astrométrica para rastrear o caminho do 3I/ATLAS, o que pode ser útil na determinação de como enviar uma sonda para um cometa semelhante no futuro.

“Queremos que a comunidade use as técnicas mais recentes e avançadas”, acrescentou Bauer. Ele também atua como investigador principal do pequeno corpo da NASA Planetary Data System, que arquiva, cataloga e distribui dados científicos relacionados a cometas, asteroides e poeira interplanetária.

Desafios

A IAWN planejava uma campanha de observação semelhante desde outubro de 2024. Assim, a descoberta tardia do 3I/ATLAS em junho foi uma feliz coincidência. A aproximação do cometa se alinha bem com a programação da equipe, sendo visível nos observatórios da rede e gerando grande interesse, conforme explicou Bauer.

Entretanto, existem desafios na medição precisa da posição de um cometa. Fatores como a variação no brilho e na coma – a nuvem de gás e poeira que se estende ao redor do núcleo do cometa – dificultam esse trabalho à medida que ele se aproxima do sol e aquece. Essas características podem aumentar o tamanho aparente do cometa e complicar sua localização.

Felizmente, apesar de o 3I/ATLAS ter se originado fora do sistema solar, ele apresenta um comportamento clássico de cometas, quase sendo considerado “um cometa dos cometas”, segundo Bauer. O corpo celeste contém componentes como água e dióxido de carbono que estão se comportando de forma semelhante aos cometas normais do sistema solar.

Interesse da comunidade

A fonte destaca que o interesse da comunidade no tema tem sido elevado. Cidadãos cientistas, grandes e pequenos observatórios, além de organizações científicas formaram um recorde de 171 participantes na campanha IAWN durante a reunião inaugural em outubro. A teleconferência realizada no meio da campanha em 9 de dezembro contou com a participação de 100 pessoas.

“Temos respondido perguntas da comunidade, por exemplo, ‘Como usar a ferramenta? Qual é o formato adequado para observar ou relatar as observações?'”, apontou Bauer. Ele ressaltou que essa colaboração ajuda os astrônomos a aprimorar suas habilidades em relatar as posições dos objetos celestes – incluindo a “vigilância” sobre outros asteroides próximos à Terra que podem passar mais perto do nosso planeta.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.