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Tarsila do Amaral, a artista que pintou o ‘Abaporu’, dando origem ao Movimento Antropofágico

Tarsila, uma das grandes protagonistas do Modernismo, faleceu em 17 de janeiro de 1973, deixando um enorme legado para a arte brasileira

Tarsila do Amaral (à esqu.) e Abaporu, de 1928 (à dir.)
Tarsila do Amaral (à esqu.) e Abaporu, de 1928 (à dir.) - Crédito: Acervo pessoal e Arquivo Nacional

Tarsila do Amaral, nascida em 1º de setembro de 1886, em Capivari, São Paulo, foi uma das maiores pintoras do Brasil. Filha de José Estanislau do Amaral e Lydia Dias de Aguiar do Amaral, a artista estudou no tradicional Colégio Sion, em São Paulo, e depois em Barcelona, onde realizou, em 1904, sua primeira pintura, “Sagrado Coração de Jesus”. De volta ao Brasil, casou-se com André Teixeira Pinto e teve sua única filha, Dulce. O casamento não durou e, realizada a separação, Tarsila passou a dedicar-se às artes.

Estudou escultura com Zadig, pintura com Pedro Alexandrino, conheceu Anita Malfatti. Depois seguiu para Paris, onde frequentou a Académie Julien e teve aulas com Émile Renard. Enquanto estava no exterior, soube, pelas cartas de Anita, da Semana de Arte Moderna de 1922. Ao retornar ao Brasil, foi recebida no grupo modernista e passou a integrar o célebre Grupo dos Cinco ao lado de Anita, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Pouco depois, começou a namorar Oswald e voltou a Paris, agora com a missão de aprofundar seus estudos.

Em 1923, guiada pelo poeta Blaise Cendrars, a capivariana circulou pela vanguarda artística europeia. Estudou com diversos mestres cubistas, entre eles Fernand Léger, que ficou impressionado com a tela “A Negra”, inspirada em lembranças da infância nas fazendas. Nesse período, conheceu nomes como Picasso, Brancusi e até mesmo músicos como Stravinsky e Satie, além de ter convivido, em Paris, com brasileiros como Villa Lobos, Di Cavalcanti e Olívia Guedes Penteado. Naquele mesmo ano, pintou também o autorretrato “Manteau Rouge”, evocando uma noite em que chamou a atenção ao vestir um casaco vermelho em homenagem a Santos Dumont.

As cores de Minas

Foi em Minas Gerais, porém, que reencontrou as cores que amava desde criança. Tons de “azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante”, que lhe diziam ser “feios” ou “caipiras”, tornaram-se sua marca registrada. Essa paleta, combinada à técnica cubista, resultou na fase Pau-Brasil, com obras como “Carnaval em Madureira”, “O Mamoeiro” e “Morro da Favela”.

Em 1926, a pintora realizou sua primeira exposição individual em Paris e recebeu críticas bastante favoráveis. Nesse mesmo ano, casou-se com Oswald de Andrade. Após o casamento, o casal passou longos períodos na fazenda da artista, onde costumava receber os amigos modernistas.

O auge dessa explosão criativa viria em 1928, quando Tarsila pintou “Abaporu” como presente de aniversário para Oswald. A obra deu origem ao Movimento Antropofágico, que defendia “devorar” influências estrangeiras para criar uma nova arte brasileira. Daí surgiu sua fase Antropofágica, que ficaria marcada por cores intensas, paisagens imaginárias, bem como a presença de animais.

Nova fase

Mas logo viria a crise de 1929, mudando sua vida repentinamente. A família perdeu as fazendas, Oswald a traiu e o casamento acabou. Nos anos 1930, a artista viajou a Moscou e envolveu-se brevemente com ideias sociais. Foi presa no Brasil por um mês após participar de reuniões do Partido Comunista e produziu a emblemática tela “Operários”, inaugurando sua fase social. Depois, viveu um longo relacionamento com o escritor Luís Martins e trabalhou como colunista nos Diários Associados do seu amigo Assis Chateaubriand até os anos 1950.

Até o fim da vida, Tarsila continuou produzindo obras e participando de bienais. Ela faleceu em 17 de janeiro de 1973 como uma das maiores artistas do país.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.