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Tigela ritualística do período Jomon é descoberta em lago no Japão

Descoberta no fundo do Lago Biwa, no Japão, tigela ritualística data de mais de 10.000 anos atrás, e revela mais sobre o período pré-histórico Jomon

Tigela descoberta no fundo do Lago Biwa, no Japão / Crédito: Divulgação/Biwako Trust

Recentemente, arqueólogos subaquáticos japoneses descobriram uma tigela, encontrada nas profundezas do Lago Biwa, no Japão, em um local submerso conhecido como Tsuzuraozaki, situado a 64 metros de profundidade. A informação foi divulgada pelo portal Ancient Origins nesta terça-feira, 9 de dezembro, destacando o estado excepcional de conservação do artefato, que data de mais de 10 mil anos.

Este objeto cerâmico, que remonta ao período entre 11.000 e 10.500 anos atrás, poderá fornecer novas percepções sobre o período pré-histórico Jomon, cujos registros são notoriamente escassos em comparação com outros períodos da história japonesa.

A tigela possui 25 centímetros de altura e é considerada o artefato mais antigo já encontrado no sítio arqueológico subaquático de Tsuzuraozaki. Especialistas identificaram o objeto como pertencente ao estilo Jinguji, caracterizado por sua base pontiaguda e os intrincados padrões gravados.

Esta descoberta se junta a um acervo de 200 peças cerâmicas já recuperadas do mesmo local ao longo do último século, abrangendo períodos que vão desde Jomon até Heian, em profundidades que variam entre 10 e 70 metros, conforme repercute a Revista Galileu.

Passado pré-histórico do Japão

Durante o período Jomon (que vai de 14.500 a.C. a 1.000 a.C.), uma das culturas pré-históricas mais influentes do mundo emergiu no Japão. Predominantemente composta por caçadores-coletores, essa sociedade se destacou pelo desenvolvimento avançado de técnicas cerâmicas.

Os arqueólogos ressaltam que as características da cerâmica no estilo Jinguji — como a encontrada no Lago Biwa — incluem bases pontiagudas, contornos delicados e padrões sutis. Esses elementos refletem algumas das primeiras inovações na manipulação de argila queimada durante a pré-história japonesa.

Além do entusiasmo gerado pela descoberta, os cientistas expressaram sua surpresa com o excepcional estado de conservação da tigela. Enquanto os artefatos encontrados em terra frequentemente apresentam danos e erosão, as descobertas subaquáticas tendem a permanecer protegidas ao longo dos séculos.

A geologia única do Lago Biwa contribui para essa preservação. O sítio arqueológico está situado em uma depressão semelhante a um vale, onde a profundidade supera os 80 metros e há mínima acumulação de sedimentos. Os contínuos movimentos tectônicos mantêm o fundo do lago exposto, resguardando artefatos antigos por milênios e criando o que os especialistas descrevem como uma verdadeira cápsula do tempo subaquática.

A evolução da tecnologia na arqueologia subaquática também merece destaque com essa descoberta. Antes considerados inacessíveis, os locais submersos têm sido cada vez mais explorados, resultando na identificação de novos registros — muitos anteriores até mesmo à criação dos sistemas de escrita.

A tigela foi localizada utilizando veículos autônomos desenvolvidos pela Biwako Trust, uma organização voltada para a proteção ambiental. Os dispositivos contam com um avançado sistema de escaneamento 3D composto por quatro câmeras sincronizadas.

De acordo com especialistas, essa tecnologia permite gerar dados com qualidade comparável àquela obtida por mergulhadores experientes. Confira vídeo registrado das buscas:

O escaneamento realizado abrangeu uma área de 200 por 40 metros no leito do lago e foi solicitado pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Bens Culturais de Nara e pelo governo da província de Shiga. Essa investigação resultou na descoberta não apenas da tigela, mas também de uma embarcação antiga e seis vasos cerâmicos datados em mais de 1.500 anos.

Embora as descobertas tenham ocorrido esporadicamente desde 1924, permanece um mistério para os pesquisadores como essas antigas embarcações chegaram ao fundo do lago. Entre as teorias apresentadas estão depósitos rituais dedicados às divindades aquáticas ou assentamentos próximos ao lago que foram submersos devido à subsidência geológica ou elevação do nível das águas após a última Era Glacial.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.