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Veja 5 das descobertas astronômicas mais importantes de 2025

Ao longo de 2025, entusiastas de Astronomia acompanharam vários avanços notáveis; confira 5 descobertas importantes feitas neste ano!

Fotografia tirada pelo Telescópio Espacial James Webb / Crédito: Getty Images

Todos os dias, agências espaciais de todo o mundo — além da NASA, dos Estados Unidos, valem menção também ESA (Europa), JAXA (Japão), Roscosmos (Rússia), CNSA (China) e ISRO (Índia) — e de outras instituições de pesquisa trabalham incansavelmente em busca de novas respostas sobre o vasto e misterioso cosmo do Universo. E, vez ou outra, algumas dessas descobertas astronômicas chamam grande atenção da comunidade científica em sua totalidade.

Confira a seguir 5 descobertas astronômicas importantes feitas em 2025:

1. 3I/Atlas

cometa 3l Atlas
Cometa 3I/ATLAS / Crédito: Divulgação/Hubble

Um dos assuntos mais comentados do ano pelos entusiastas de Astronomia — e que, na verdade, até furou essa bolha — foi o cometa 3I/Atlas. Descoberto em 1º de julho, ele vem chamando grande atenção por apresentar características bastante próprias, que trazem mais dúvidas que respostas sobre o Universo distante.

Acredita-se que ele se origine de um sistema planetário ainda mais antigo que o nosso, o que torna sua passagem relativamente próxima uma oportunidade única para se explorar mais do passado do Universo. Além disso, ele tinha peculiaridades químicas bastante próprias, com uma proporção de dióxido de carbono para água maior que o comum em outros cometas, e seu gás também é mais rico em níquel do que em ferro. E, para finalizar, pesquisadores do telescópio de rádio MeerKAT, na África do Sul, até mesmo detectaram emissões de rádio do cometa.

Com tudo isso, além do alarde comum que qualquer cometa provoca, com o receio de colisão com a Terra, o 3I/Atlas conquistou um espaço fundamental nas conversas sobre vida extra-terrestre. Essas teorias começaram quando o astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard (EUA), divulgou um estudo — até então, sem revisão por pares — que descrevia as peculiaridades do cometa, e sugeria que ele pudesse ser uma nave alienígena disfarçada. No entanto, a NASA já negou completamente essa especulação.


2. Vida em Marte?

Compostos incomuns em rochas de Marte podem ser sinais de vida microbiana antiga – Divulgação/NASA

Pousado na superfície de Marte desde fevereiro de 2021, o Rover Perseverance da NASA vem explorando diversas regiões do planeta vermelho, em busca de pistas sobre seu passado ainda pouco conhecido. Entre o que ele busca desvendar desse passado está a existência de água em sua superfície; mas, mais recentemente, ele chamou grande atenção por encontrar características incomuns em algumas rochas que podem indicar a existência de vida microbiana antiga por lá.

Essas rochas foram encontradas durante a análise de uma formação geológica conhecida como Bright Angel, na borda norte do Vale Neretva, e nelas foram detectadas pelo rover compostos à base de carbono, além de manchas e nódulos intrigantes que podem ser comparadas à vida microbiana terrestre.

“É uma assinatura. É uma espécie de sinal remanescente. Não é vida em si; poderia ser proveniente de vida antiga, algo que existiu há bilhões de anos, mas nada atualmente”, afirmou a Dra. Nicky Fox, administradora associada da diretoria de missões científicas da NASA.


3. Galáxia mais antiga?

Capotauro está localizado perto da cauda da constelação da Ursa Maior – Crédito: Divulgação/Giuseppe Capriotti e Giovanni Gandolfi

Em outubro, uma equipe de astrônomos identificou, através de imagens coletadas pela Câmera Infravermelha Próxima (NIRCam) do Telescópio Espacial James Webb um objeto enigmático de brilho intenso; mas que, segundo eles, pode ser a galáxia mais antiga descoberta até o momento, formada apenas 100 milhões de anos após o Big Bang.

No entanto, esse objeto — denominado Capotauro — não pode ter sua identidade exata definida com certeza. Assim, há ainda outra teoria de que ele possa ser, em vez de uma galáxia, apenas uma anã-marrom bastante singular — mas que, por sua vez, seria a formação mais fria e distante do tipo já identificada em nossa galáxia, localizada a mais de sete anos-luz e com apenas 300 kelvins.

De qualquer forma, a existência dessas duas opções é vista pelos pesquisadores como “muito empolgante”, pois desafiaria as atuais compreensões sobre a formação e evolução das galáxias. Agora, os astrônomos ainda aguardam por dados mais precisos sobre a luz emitida por Capotauro, antes de elucidar as questões que o cercam.


4. Origem de Theia

Representação artística da colisão entre a Terra primitiva e o planeta Theia / Crédito: Divulgação/MPS/Mark A. Garlick

Hoje, estamos perfeitamente acostumados com acompanharmos o Sol durante o dia, e a Lua durante a noite; porém, há bilhões de anos, nosso satélite natural sequer existia. Ele surgiu há cerca de 4,5 bilhões de anos, depois que um outro planeta, denominado Theia, colidiu com a Terra — ainda em sua fase inicial —, ejetando os detritos que, eventualmente, originaram a Lua.

Agora, um novo estudo finalmente ofereceu novas ideias sobre as origens de Theia. Através de uma análise de amostras lunares, rochas terrestres e de meteoritos, pesquisadores do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar na Alemanha sugerem que Theia se formou em uma região consideravelmente próxima ao Sol, assim como a Terra, e que os dois planetas tenham sido “vizinhos”.

A análise também indicou que Theia era um planeta rochoso cuja massa era de apenas entre 5 e 10% da massa da Terra. Porém, vale destacar que ainda não há muitas certezas sobre a colisão entre os dois planetas.


5. Matéria escura

Imagem representando a distribuição de matéria escura no Universo / Crédito: Domínio Público

Há quase um século, na década de 1930, o astrônomo suíço Fritz Zwicky propôs pela primeira vez a existência de uma substância invisível no Universo que formaria uma teia cósmica em torno das galáxias: a matéria escura. E só agora, após tantas décadas, cientistas acreditam finalmente ter encontrado a primeira evidência direta da existência da tal matéria escura.

Através da análise de dados do Telescópio Espacial Fermi da NASA, especializado na detecção dos fótons mais energéticos do espectro eletromagnético, foi identificado um padrão de raios gama que parecia corresponder à forma do halo da matéria escura, que se espalha em uma esfera a partir do núcleo da galáxia. “O sinal corresponde de perto às propriedades da radiação gama prevista para ser emitida pela matéria escura”, explicou o professor Tomonori Totani, astrofísico da Universidade de Tóquio.

No entanto, para se ter mais certeza se essas observações realmente se relacionam à matéria escura ou não, ainda são necessários mais estudos, incluindo a detecção de raios gama de mesmo espectro em outras regiões do espaço. Ainda assim, nas palavras de Totani, “esta pode ser uma descoberta crucial para desvendar a natureza da matéria escura”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.