História de ‘ressurreição’ animal no Egito Antigo é descrita em papiro raro
Papiro de Westcar reúne relatos lendários do Egito Antigo, incluindo a história de um mago que “ressuscitaria” animais por meio de um truque ritual

E parece que o hábito de criar histórias também divertia os antigos egípcios. O Papiro de Westcar, documento datado entre 1782 e 1550 a.C., reúne uma série de contos lendários atribuídos ao reinado do faraó Khufu.
Entre os relatos preservados, destaca-se a história do mago Djedi, descrito como um ancião capaz de feitos extraordinários. Segundo o texto, ele teria o suposto poder de “ressuscitar” animais decapitados.
A origem do relato
Nos escritos, o mago Djedi aparece como o relato mais próximo de uma menção a um truque de mágica no Egito Antigo. De acordo com informações do Olhar Digital, o texto é originário do período conhecido como Segundo Período Intermediário, mas suas histórias se passam cerca de mil anos antes, durante o reinado de Khufu, faraó da antiga civilização egípcia.
Dentro desse papiro raro, são apresentadas cinco pequenas histórias, e é exatamente no quarto conto que o filho de Khufu, Hordjedef, apresenta ao rei um mago chamado Djedi. O personagem é descrito como um homem de 110 anos que, segundo a lenda, seria capaz de beber 100 jarras de cerveja diariamente.
O truque de Djedi
Porém, a passagem mais lendária atribuída ao mago vai muito além da bebida. Em determinado momento do texto, afirma-se que Djedi conseguia “ressuscitar” animais por meio do reimplante das cabeças cortadas.
É neste momento, que Khufu parecendo não confiar muito no mago, pede que tragam um prisioneiro para que Djedi demonstre o truque ali mesmo, diante do rei. No entanto, o mago se recusa e afirma que não realizaria o feito em um ser humano. Em vez disso, ele pega um ganso, remove sua cabeça e, após um encantamento, o animal volta a andar com a cabeça reimplantada. O truque se repete várias vezes no relato, envolvendo outros pássaros, um animal aquático e até um boi.
Entre lenda e ilusionismo
Embora fascinante, o episódio é considerado pelos pesquisadores apenas parte da tradição literária e mítica do Egito Antigo, sem qualquer evidência histórica que comprove a existência real de Djedi ou a prática de tais truques de mágica.
Além disso, alguns pesquisadores já discutiram possíveis indícios de truques de mágica no Egito Antigo, como uma ilustração da tumba de Baqet III. Porém, essas interpretações são consideradas controversas e não levaram a um consenso.
Até então, a única descrição confiável de um truque aparece apenas na Roma Antiga, quando Sêneca registrou uma performance de malabaristas em 65 d.C. Ainda assim, o episódio do ganso decapitado com o mago Djedi, no Papiro de Westcar, permanece como o relato mais antigo conhecido que se aproxima da prática do ilusionismo no Egito Antigo.