Escudo de Chernobyl perde capacidade de conter radiação após ataque
AIEA afirma que ataque de drones em fevereiro danificou o Novo Confinamento Seguro em Chernobyl, comprometendo a contenção de resíduos radioativos

De acordo com informações repercutidas pela CNN Brasil, o ataque aconteceu em 14 de fevereiro, em Chernobyl, e a Ucrânia acusou a Rússia de ter realizado a ação, o que foi negado pelo Kremlin. O ataque que atingiu o NSC provocou um incêndio e danificou o revestimento protetor ao redor.
Ainda segundo a agência de vigilância nuclear, uma recomendação foi feita para uma ampla reforma na estrutura de aço. Essa estrutura havia sido instalada há alguns anos para permitir operações de limpeza e garantir a segurança do local, quase décadas após o acidente na usina nuclear.
Reparos temporários limitados foram realizados no teto, mas uma restauração oportuna e abrangente continua essencial para evitar maior degradação e garantir a segurança nuclear a longo prazo”, disse o Diretor-Geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, no comunicado.
Grossi ressaltou que, apesar dos impactos do ataque, as bases estruturais do NSC e seus sistemas de monitoramento não sofreram danos permanentes. A agência, que mantém equipes no local de forma contínua, afirmou ainda que seguirá atuando para apoiar os trabalhos necessários à restauração completa da segurança nuclear em Chernobyl.
Histórico e contexto
O episódio ocorre em um cenário já marcado pela instabilidade da região. Nos primeiros meses da guerra, em 2022, tropas russas chegaram a ocupar a usina e áreas próximas, mantendo funcionários sob custódia. O controle da instalação só foi devolvido às autoridades ucranianas pouco mais de um mês depois.
O NSC é a estrutura de aço que cobre o reator 4, destruído no acidente de 1986, e foi projetado para impedir a liberação de material radioativo. Construído entre 2010 e 2019, o arco metálico foi financiado por mais de 45 países e tinha expectativa de durar um século, atuando como a principal barreira de segurança em Chernobyl.
A explosão do reator espalhou radiação por várias regiões da então União Soviética e deixou dezenas de mortos. Além de provocar, ao longo das décadas, aumento de casos de câncer e outras doenças entre populações expostas.