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Assentamentos indígenas descritos pelo colonizador John Smith são encontrados nos EUA

Arqueólogos descobriram milhares de artefatos que pertenceriam às vilas descritas por John Smith há mais de quatro séculos

Arqueólogos desenterraram milhares de artefatos em dois sítios na região de Fones Cliffs, no rio Rappahannock, na Virgínia - Crédito: Divulgação/Julia King

Mais de quatro séculos atrás, o colonizador e explorador inglês John Smith registrou em seu diário a presença de aldeias indígenas nas margens de um importante rio, atualmente conhecido como Virginia. Contudo, os locais mencionados por Smith foram posteriormente esquecidos, de modo que surgiram dúvidas sobre sua existência.

Recentemente, arqueólogos que realizam escavações ao longo do Rio Rappahannock descobriram milhares de artefatos, incluindo contas, fragmentos de cerâmica, ferramentas de pedra e cachimbos para tabaco. Acredita-se que esses itens pertençam às vilas descritas por Smith há séculos.

“A presença desses artefatos confirma tanto as histórias orais quanto os documentos que sugeriam que assentamentos estavam localizados aqui em 1608, quando o Capitão John Smith passou várias semanas mapeando o rio Rappahannock”, afirmou Julia King, professora de antropologia no St. Mary’s College of Maryland e responsável pelas escavações, segundo o portal Live Science.

De acordo com King, a área central do rio é cercada por altas falésias, o que limitava o acesso à vila localizada acima. No entanto, a altitude proporcionava uma ampla visão de todo o vale do rio, enquanto o solo do local era propício para o cultivo de milho.

O rio recebeu o nome do povo Rappahannock, uma das 11 comunidades indígenas reconhecidas na Virgínia. Muitos membros ainda residem nas proximidades e esperam recuperar e proteger terras ancestrais ao longo do rio.

John Smith

A história dos Rappahannock remonta a 1608, quando John Smith, foi eleito presidente do conselho da colônia de Jamestown na Virgínia. Jamestown, fundada um ano antes, é reconhecida como o primeiro assentamento inglês permanente na América do Norte.

Smith é uma figura conhecida por suas narrativas grandiosas, incluindo sua famosa relação com Pocahontas. Seus escritos e relatos indicam que ele impôs uma disciplina militar em Jamestown, onde proclamou: “quem não trabalhar não comerá”, uma política considerada crucial para a sobrevivência da colônia nos seus primeiros anos. Contudo, mais de 400 colonos em Jamestown morreram de fome após o retorno de Smith à Inglaterra em 1609.

Julia King ressaltou que Smith era um explorador diligente e passou várias semanas mapeando o Rio Rappahannock, mencionando vilas indígenas na área agora conhecida como Fones Cliffs.

História oral

As novas descobertas também corroboram as histórias orais do povo Rappahannock. “A história oral recebe uma má reputação em alguns círculos porque as memórias não são perfeitas, mas os documentos também não são”, observou King. “A estratégia é ler ambos com e contra a corrente de ambas as fontes e questionar tudo.”

King e sua equipe têm investigado a história antiga da região do Rio Rappahannock por vários anos. Eles identificaram os locais dos assentamentos em Fones Cliffs cruzando documentos históricos com relatos orais e realizando expedições pelo terreno.

Até agora, os pesquisadores escavaram aproximadamente 11.000 artefatos indígenas em dois sítios em Fones Cliffs; alguns desses itens podem datar do século 16.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.