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Charles III poderia ser substituído como chefe de Estado da Papua-Nova Guiné, segundo relatório

Relatório oficial da Papua-Nova Guiné recomenda que Charles III seja removido de sua posição como chefe de Estado do país a fim de combater o neocolonialismo

Rei Charles III
Rei Charles III - Crédito: Getty Images

Um relatório oficial da Papua-Nova Guiné recomenda a remoção do Rei Charles III de sua posição como chefe de Estado do país. A sugestão parte da Comissão de Reforma Constitucional e Jurídica e argumenta que a mudança é necessária para resolver as alegações contínuas de neocolonialismo.

A comissão defende que, uma vez que a função do monarca britânico é estritamente cerimonial, seria mais apropriado que um cidadão papuásio assumisse o cargo, alguém com autoridade para intervir em questões de corrupção e governança. O rei Charles ocupa essa posição desde 1975, ano em que a Papua-Nova Guiné se tornou independente da Austrália e optou por integrar a Commonwealth.

Desde então, o monarca britânico visitou o país duas vezes, sendo a mais recente em 2012, quando estava acompanhado por Camilla. Em sua primeira visita em 1984, Charles foi recebido com trajes tradicionais locais.

No mês de setembro, o príncipe Edward e sua esposa Sophie, Duquesa de Edimburgo, estiveram na Papua-Nova Guiné para comemorar o 50º aniversário da independência nacional.

Segundo o tabloide Daily Mail, as propostas mencionadas foram reportadas pelo jornal local The National, que afirmou ter recebido o relatório da comissão destinado ao parlamento do país. O documento, intitulado ‘O Roteiro para a Papua Nova Guiné de 2050 e Além’, foi encomendado em 2021. Atualmente, Bob Dadae serve como governador-geral e representante oficial do rei na Papua-Nova Guiné. Ele foi eleito pelo parlamento do país em 2017.

Detalhes do documento

Conforme destacado pelo The National, o relatório afirma: “Dada a experiência do país na impasse político de 2011 e as práticas corruptas dos líderes e burocratas, o Chefe de Estado precisa ser capacitado para intervir, e isso só é possível se o Rei da Inglaterra for removido e substituído por um papuásio.”

A proposta também visa simbolizar a afirmação da Papua-Nova Guiné como um estado soberano verdadeiramente independente, dissipando assim as alegações persistentes de neocolonialismo.

No entanto, um editorial publicado pelo The National expressa uma visão contrária à proposta. O texto diz que “o Rei não está envolvido no esgoto da política; ele pode abençoar e aprovar, mas não pode amaldiçoar nem desaprovar.”

Além disso, destaca-se que a presença do monarca é essencial para promover a paz em um país altamente polarizado politicamente: “Não, não podemos remover o Rei como Chefe de Estado – ainda não.”

Caso Charles perca seu status como chefe de estado na Papua-Nova Guiné, o país poderá continuar fazendo parte da Commonwealth. Atualmente, a grande maioria das 56 nações que fazem parte da entidade já não têm mais o monarca britânico como chefe de Estado.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.