Partícula do espaço pode explicar pouso emergencial de Airbus A320

Aeronave seguia o trajeto Cancún-Newark no dia 30 de outubro quando sofreu uma queda abrupta de altitude e precisou realizar um pouso emergencial

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

A queda abrupta de altitude de um Airbus A320 da JetBlue enquanto sobrevoava a Flórida, no dia 30 de outubro, deixou 15 passageiros feridos e exigiu um pouso de emergência na cidade de Tampa. A aeronave seguia o trajeto Cancún-Newark. As investigações apontam que o incidente poderia não ser atribuído a falhas mecânicas ou erro humano, mas sim a uma partícula de alta energia proveniente do espaço profundo.

Essa teoria ganhou força após a fabricante do avião divulgar um comunicado oficial no dia 28 de novembro, no qual reconheceu que “a intensa radiação solar pode corromper dados críticos ao funcionamento dos controles de voo”.

A Airbus ainda anunciou uma ação preventiva global que envolverá aproximadamente 6 mil aeronaves. A empresa orientou as companhias aéreas a realizarem atualizações de software e hardware, uma medida que será formalizada através de uma Diretiva de Aeronavegabilidade de Emergência da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA). De acordo com o portal Galileu, essa iniciativa pode resultar em atrasos e cancelamentos de voos em escala mundial.

O que dizem especialistas

O evento atraiu atenção significativa nos dias subsequentes, com especulações sobre uma possível atividade solar intensa afetando os sensores e sistemas eletrônicos do avião. No entanto, essa hipótese foi contestada por especialistas consultados pelo portal Space.com, que afirmaram que os níveis de radiação solar registrados na data eram insuficientes para causar danos em altitudes típicas de cruzeiro.

Em vez disso, os especialistas sugeriram que um raio cósmico – uma partícula extremamente energética originada da explosão de uma supernova – poderia ter sido o verdadeiro responsável pela falha. Essas partículas são conhecidas por interagir com microeletrônicos modernos, podendo provocar uma “inversão de bit”, que é quando ocorre a mudança do estado de um bit ou número binário para o estado oposto (0 ou 1), gerando problemas de comunicação.

A passagem dessas partículas pela atmosfera terrestre resulta na criação de chuvas secundárias compostas por múons, nêutrons e pósitrons que podem impactar componentes eletrônicos dentro das aeronaves, gerando eventos conhecidos como perturbações únicas. Nos sistemas críticos dos computadores de voo, até mesmo uma única inversão de bit pode resultar em comandos errôneos.

Casos semelhantes

Casos semelhantes já foram registrados anteriormente na aviação. Um exemplo notório ocorreu em 2008 com o voo 72 da Qantas, quando um Airbus A330 sofreu quedas inesperadas no Oceano Pacífico devido a leituras incorretas dos sensores. Embora a causa definitiva nunca tenha sido identificada, muitos cientistas acreditam que um raio cósmico tenha sido responsável pelo incidente.

Conforme apurado pelo site Space.com, menos de duas semanas após o episódio envolvendo a JetBlue, uma grande erupção solar elevou os níveis de radiação durante vários dias em altitudes de voo. Esta situação isoladamente já justifica as ações preventivas adotadas pela Airbus, mesmo que essa erupção específica não esteja relacionada diretamente ao incidente do dia 30 de outubro.

Se confirmada a hipótese de que um raio cósmico causou o incidente da JetBlue, esse evento poderá ser adicionado à lista dos raros casos aéreos provocados por partículas oriundas de explosões estelares ocorridas milhões de anos atrás.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.