Astrônomos descobrem ‘maior objeto giratório’ conhecido do Universo
Astrônomos descobriram cadeia gigante de 14 galáxias, que é considerado "o maior objeto giratório" já descoberto no Universo

A comunidade astronômica acaba de realizar uma descoberta notável: um filamento cósmico que pode ser considerado o “maior objeto em rotação” já identificado. Essa estrutura, localizada a 140 milhões de anos-luz da Terra, consiste em um longo cordão de gás que se estende por impressionantes 5,5 milhões de anos-luz e possui uma largura de 117 mil anos-luz, superando as dimensões da nossa própria Via Láctea.
Esse filamento contém uma cadeia de 14 galáxias ricas em hidrogênio, dispostas de maneira semelhante a contas em uma pulseira. Os pesquisadores destacaram que a existência desse filamento foi revelada pela disposição alinhada das galáxias que emitem luz na mesma distância, conforme descrito em um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A astrônoma Lyla Jung, coautora do estudo e vinculada à Universidade de Oxford, expressou sua surpresa com a descoberta inicial. Em e-mail ao Live Science, ela afirmou: “Notamos um alinhamento impressionante de galáxias brilhando à mesma distância”. O achado ocorreu durante observações realizadas com o MeerKAT, um conjunto de 64 telescópios de rádio interconectados localizados na África do Sul.
Após análises detalhadas, a equipe identificou que o filamento está girando a uma velocidade aproximada de 110 quilômetros por segundo. Além disso, as galáxias ao redor também estão em movimento rotacional, a maioria na mesma direção que o filamento gasoso. Essa dinâmica sugere que estruturas como essa podem desempenhar um papel crucial na formação das galáxias, influenciando a velocidade e a direção da rotação dos aglomerados estelares.
Objeto gigante em rotação
De acordo com Madalina Tudorache, outra astrônoma da Universidade de Oxford e membro da equipe de pesquisa, essa estrutura gigante representa “provavelmente o maior objeto em rotação” já descoberto até agora. Embora tais estruturas tenham sido previstas em simulações teóricas há tempos, apenas recentemente houve progresso suficiente nos telescópios para permitir sua detecção direta.
A equipe acredita ainda que outros filamentos rotativos similares serão descobertos em um futuro próximo, à medida que os pesquisadores avançam em suas explorações cósmicas utilizando telescópios da próxima geração. Muitos desses filamentos estão interconectados dentro de uma vasta rede cósmica que direciona matéria por todo o universo, formando grandes aglomerados galácticos interligados, repercute o Live Science.
A observação foi realizada como parte do projeto MIGHTEE (MeerKAT International GHz Tiered Extragalactic Exploration), liderado pelo físico Matt Jarvis da Universidade de Oxford e que está atualmente em andamento. Dados futuros do MIGHTEE podem proporcionar mais informações sobre o comportamento desse filamento ou facilitar a descoberta de outros fios cósmicos rotativos. Além disso, essas descobertas poderão contribuir para futuros levantamentos realizados por novos instrumentos, como o Observatório Vera C. Rubin no Chile.
Conforme destacou Tudorache: “Acho que isso está realmente nos ajudando a entender o universo“.