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Banco de dados digital revela histórias de 290 mil soldados medievais ingleses

Maior banco de dados nominal da Idade Média desafia mitos sobre a Guerra dos Cem Anos e lança luz sobre a vida de combatentes comuns

Batalha de Crécy, 1346, das Grandes Chroniques de France - Dominio Público

Um banco de dados online está transformando a compreensão da história militar da Inglaterra ao disponibilizar os registros de serviço de quase 290.000 soldados medievais que serviram a Coroa entre 1369 e 1453. O Medieval Soldier Database (Banco de Dados do Soldado Medieval) é hoje o maior banco de dados nominal pesquisável do mundo, revisitando a vida e as carreiras dos homens que preencheram as fileiras durante a turbulenta Guerra dos Cem Anos.

Lançada originalmente em 2009 e recentemente atualizada, a iniciativa é um esforço de pesquisadores como Adrian R Bell, Anne Curry e Jason Sadler, e está agora hospedada pelo GeoData, um instituto de pesquisa da Universidade de Southampton. O projeto tem atraído grande interesse, recebendo cerca de 75.000 visitantes por mês.

Detalhes e descobertas

O banco de dados foi criado para desafiar a suposição de que os soldados medievais não eram profissionais, revelando a complexidade de suas carreiras. A informação é predominantemente extraída de listas de chamada (muster rolls) e registros de pagamento do Tesouro, que detalham os nomes de homens de armas (soldados com armadura completa) e arqueiros. Os registros mostram não apenas as atividades militares, mas também a inclusão de mecanismos legais para proteger os interesses dos combatentes enquanto serviam no exterior.

Entre as principais revelações, o banco de dados permite ter mais informações sobre como era a carreira dos soldados. Documentos de carreiras militares de 20 anos ou mais, mostram a repetição de serviço em diferentes teatros de guerra (exércitos expedicionários na França, campanhas navais, guarnições na Escócia, Irlanda e França).

Há também dados de mobilidade social, identificando casos de soldados que ascenderam socialmente devido aos seus bons serviços. Para muitos arqueiros, esta pode ser a única prova histórica de sua existência.

Por fim, também existem registros de logística, que exploram o alto comprometimento de mão de obra necessário para manter bases estratégicas, como a guarnição de Calais (França), que serviu de porta de entrada para expedições como a de Eduardo III para sitiar Reims em 1359.

Histórias em destaque

O recurso online não apenas fornece números, mas também histórias pessoais fascinantes, como o caso de Geoffrey Chaucer. O famoso autor de Os Contos da Cantuária está listado no banco de dados. Os registros mostram que ele serviu como homem de armas na guarnição de Calais em 1387, e havia anteriormente sido capturado e resgatado durante a campanha de Reims em 1359, fornecendo detalhes concretos sobre sua experiência militar de mais de 27 anos.

Em relação à Revolta dos Camponeses (1381), o banco de dados permite estabelecer a experiência militar de alguns dos rebeldes. Por exemplo, Thomas Crowe foi acusado de demolição durante a revolta. Os registros de seu serviço em Calais e em uma campanha naval sugerem que seu conhecimento militar sobre armas de cerco, como o trabucho, pode ter sido usado para a destruição.

Além dos combatentes, as listas de chamada em Calais também revelam o rol de apoio logístico essencial, incluindo pedreiros, serralheiros, flecheiros (fabricantes de flechas), arqueiros (fabricantes de arcos), encanadores, ferreiros e até mesmo coveiros. Um dos registros pertence a um telhador — Walter Tyler — levantando a questão se ele seria o futuro líder da revolta de 1381, Wat Tyler.

Os criadores expressam esperança de que o banco de dados continue a crescer, desvendando muitas histórias não contadas de ancestrais militares e enriquecendo a herança militar compartilhada. O recurso é uma ferramenta vital tanto para historiadores acadêmicos quanto para genealogistas familiares.

Jornalista de formação, curioso de nascença, escrevo desde eventos históricos até personagens únicos e inspiradores. Entusiasta por entender a sociedade através do esporte. Vez ou outra você também pode me achar no impresso!