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Arqueólogos revelam anel gigante de fossas neolíticas oculto perto de Stonehenge

Círculo monumental de fossas neolíticas é confirmado ao redor de Durrington Walls, no Reino Unido, ampliando o entendimento da paisagem ritual de Stonehenge

Vista de Stonehenge, monumento situado a poucos quilômetros de Durrington Walls, onde as novas fossas neolíticas foram identificadas / Créditos: Getty Images

Arqueólogos que trabalham na área de Durrington Walls, em Wiltshire, confirmaram a existência de uma vasta estrutura de fossas neolíticas que circundam o henge. A descoberta acrescenta uma nova camada ao entendimento da paisagem ritual situada ao norte de Stonehenge.

As conclusões atualizadas retomam uma pista identificada pela primeira vez em 2020, quando pesquisadores notaram grandes feições circulares formando dois arcos ao redor do local.  Na época, foi levantado a hipótese de que poderiam representar uma das maiores construções pré-históricas da Grã-Bretanha.

Estudos subsequentes reforçaram essa interpretação ao revelar que ao menos dezesseis fossas gigantes compunham um circuito praticamente contínuo ao redor de Durrington Walls.

Novos dados

O projeto, conduzido pela Universidade de Bradford em colaboração com a Universidade de St Andrews, reuniu levantamentos geofísicos, escavações pontuais e análises laboratoriais. Elementos que antes eram interpretados como dolinas naturais estavam sendo reavaliados desde 2021. 

Com isso, novos dados mostraram que não se tratava de formações acidentais no giz, mas sim de fossas escavadas de forma intencional durante o Neolítico tardio. Datações por luminescência estimulada opticamente situam a construção das cavidades por volta de 2480 a.C. 

A imagem mostra exemplos de cavidades naturais e cortes em giz usados como referência para distinguir formações geológicas de fossas escavadas no período neolítico / Créditos: V. Gaffney et al., Internet Archaeology (2025)

De acordo com informações repercutidas pela revista Archaeology, a uniformidade entre as datas sugere que o complexo foi criado em um intervalo relativamente curto, indicando um projeto coordenado e de grande escala. Cada fossa chega a medir cerca de dez metros de diâmetro e até cinco metros de profundidade, o que aponta para um volume de trabalho expressivo.

Um círculo monumental

Além das datas, a equipe combinou técnicas raramente aplicadas em conjunto nesse tipo de investigação. Análises de DNA sedimentar revelaram vestígios de plantas e animais que habitavam a paisagem calcária local, permitindo reconstruir aspectos ambientais da época. 

As assinaturas geoquímicas dos sedimentos também se mostraram semelhantes entre todos os poços estudados, reforçando a hipótese de um único empreendimento monumental. O trabalho de campo confirmou a identidade de diversas feições antes incertas e elevou para dezesseis o número total de fossas e prováveis fossas reconhecidas. 

Uma área a oeste apresentou resultados inconclusivos devido à perturbação moderna, mas o padrão geral agora é sólido: um círculo monumental de fossas escavadas cercava o grande recinto de Durrington Walls.

Mapa das anomalias que formam os dois arcos de fossas ao redor de Durrington Walls, identificadas por prospecção geofísica e dados de lidar / Créditos: V. Gaffney et al., Internet Archaeology (2025) / CC BY

A escala, a precisão e a organização necessárias para construir o conjunto ajudam a esclarecer o grau de coordenação social entre as comunidades que viviam na região no fim do Neolítico.  Por isso, mesmo em um território marcado por monumentos excepcionais, como Stonehenge, o circuito recém confirmado representa uma adição surpreendente e complexa ao já vasto ambiente ritual da planície de Salisbury.