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Assassino é identificado em caso arquivado há 49 anos

Erro do FBI impediu prisão de vizinho em 1975; novas análises confirmam autoria e encerram investigação após quase 5 décadas

Ernest Gable foi identificado como o assassino de Lord com 50 anos de atraso - New Hampshire DOJ

Um caso arquivado há quase cinco décadas em New Hampshire foi finalmente solucionado. A polícia identificou o assassino de Judith Lord, de 22 anos, como o vizinho Ernest Theodore Gable — o mesmo suspeito apontado em 1975, mas nunca preso devido a um relatório forense equivocado do FBI. O anúncio foi feito pelo procurador-geral John M. Formella na última segunda-feira, 24.

Lord foi encontrada morta em 20 de maio de 1975, dentro de seu apartamento em Concord. Um zelador descobriu o corpo enquanto cobrava aluguéis atrasados. O filho dela, de apenas 20 meses, estava vivo e ileso em um berço no quarto ao lado. Segundo a autópsia, ela morreu por estrangulamento em um cenário que indicava luta violenta e agressão sexual.

Logo no início da investigação, Gable, então com 24 anos, chamou atenção. Ele era vizinho da vítima e acumulava comportamentos perturbadores relatados por amigos e conhecidos. Apesar disso, um laudo do FBI descartou erroneamente a possibilidade de os cabelos encontrados na cena serem dele. Essa conclusão equivocada “frustrou” o andamento do caso, afirmou Formella.

Impressões digitais de Gable estavam no local. Além disso, testemunhas revelaram que Judith temia o vizinho devido às investidas insistentes. Mesmo assim, o relatório era decisivo à época — e o suspeito nunca foi acusado.

O crime

Judith havia se mudado para o condomínio três meses antes, após retornar da Alemanha com o marido, Gregory, e o filho. O relacionamento, porém, deteriorou rapidamente. Em 4 de maio, 16 dias antes do crime, Gregory a agrediu e foi preso. Ele deixou o apartamento e passou a viver com a avó, mantendo apenas o filho, uma cama e um berço no local.

Com o marido afastado, Judith pediu demissão do emprego e passou os últimos dias tentando reorganizar a vida. Na noite do crime, ela voltou ao condomínio pouco antes da meia-noite. Minutos depois, a esposa de Gable ouviu a jovem no chuveiro. Por volta de 0h50, vizinhos relataram gritos vindos do apartamento, seguidos de gemidos atribuídos a relações sexuais.

Segundo o ‘New York Post’, o histórico entre Judith e Gable reforçava o risco. Testemunhas lembraram episódios em que ele rondava portas e janelas, além de uma visita às 2h da manhã, quando perguntou se ela “queria festejar com ele” enquanto sua própria esposa estava fora da cidade.

Solução

A reavaliação das evidências permitiu confirmar o que investigadores suspeitavam desde 1975. Gable teria cometido o crime durante uma agressão sexual agravada e estrangulado a vítima. No entanto, ele não enfrentará a Justiça: foi morto a facadas em Los Angeles, em 1987.

“Se estivesse vivo hoje, ele seria acusado de homicídio em primeiro grau”, afirmou Formella. Para ele, a conclusão do caso representa um alívio para a comunidade. “Espero que esta conclusão tão aguardada traga paz à família de Judy Lord e à cidade de Concord. Este desfecho mostra que nenhum caso arquivado está realmente encerrado até que a verdade venha à tona”.