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Análise de dentes indica que ‘porcos infernais’ esmagavam ossos como leões

Nova análise dentária indica que os “porcos infernais” tinham dietas diferentes conforme o tamanho — e alguns eram capazes de triturar ossos há 30 milhões de anos

Fóssil de Archaeotherium exibido durante um leilão em Londres, em 2011 / Créditos: Getty Images

Em reunião anual de 2025 da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, foi revelada uma pesquisa preliminar sobre os Archaeotherium, ou, como são conhecidos, os “porcos infernais” norte-americanos. O estudo mostrou que eles possuíam diferentes estratégias de alimentação dependendo do seu tamanho.

Os gigantescos animais podem ter se alimentado de ossos há cerca de 30 milhões de anos, enquanto seus parentes menores dilaceravam matérias mais macias, como carne.

Popularmente apelidados de “porcos infernais”, eles eram entelodontes, criaturas semelhantes aos porcos, mas que, em seu tamanho, podiam ser tão altos quanto humanos mesmo apoiados nas quatro patas. Além disso, eram extremamente pesados, podendo passar de 1 tonelada.

Diferenças de dieta

Os pesquisadores já conhecem e estudam o Archaeotherium desde 1850. No entanto, foi somente agora, após uma nova análise dentária, que a revelação sobre as estratégias alimentares desses animais apareceu, conforme repercute a revista Live Science. 

Em exames realizados no desgaste dos dentes desses animais, os pesquisadores notaram que as espécies trituravam ossos ou outros materiais duros, enquanto espécies menores provavelmente preferiam cortar alimentos macios. Isso os colocaria potencialmente em funções diferentes no antigo cenário norte-americano. 

Não podemos presumir que eles estavam fazendo a mesma coisa”, disse Brynn Wooten , candidata a doutorado na Universidade Vanderbilt, no Tennessee, ao Live Science.

Na apresentação dos resultados preliminares da sua pesquisa, na quinta-feira, 13, Wooten informou que os resultados ainda não foram revisados por pares, pois ela e seus colegas precisam ainda concluir a pesquisa e submetê-la a uma revista científica. 

O que a análise dos dentes revela

Pesquisadores já suspeitavam que o Archaeotherium tivesse uma dieta variada, podendo agir como predador, necrófago ou consumidor de vegetação. Marcas de mordida em fósseis de Poebrotherium, pequenos parentes dos camelos, sugerem que o animal chegou a caçá-los e até armazenar carcaças.

No novo estudo, a equipe analisou dentes de diferentes regiões dos EUA usando microdesgaste dentário, técnica que cria modelos 3D da superfície do dente. Os resultados mostraram que indivíduos menores tinham desgaste semelhante ao de catetos modernos, enquanto os maiores exibiam padrões próximos aos de leões e hienas, indicando capacidade de esmagar ossos.

A análise aponta que os Archaeotherium maiores podiam competir por carcaças ou consumir vegetais mais duros, enquanto os menores provavelmente se alimentavam de folhas e gramíneas. Como a técnica identifica apenas a textura do alimento, os pesquisadores planejam usar análises de isótopos para confirmar se o consumo de ossos era realmente parte da dieta.