Dois suspeitos ‘admitem parcialmente’ envolvimento em roubo no Louvre
Dois homens presos como suspeitos de roubar o Louvre na última semana "admitiram parcialmente" envolvimento com o roubo, revela promotora

Dois homens foram detidos sob suspeita de roubar joias da coroa avaliadas em cerca de €88 milhões (mais de R$ 550 milhões) do Museu do Louvre, em Paris. Segundo a promotora Laure Beccuau, os suspeitos “admitiram parcialmente” seu envolvimento no crime, mas as autoridades ainda não conseguiram recuperar os itens roubados.
Beccuau informou que os dois indivíduos, que foram presos no último domingo, serão apresentados a um juiz “com o objetivo de ser acusada de roubo organizado, crime que prevê pena de prisão de 15 anos, e de conspiração criminosa, punível com 10 anos de prisão”.
Durante uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, Beccuau mencionou que as joias “não estão em nossa posse” e fez um apelo aos ladrões: “Ainda há tempo para devolvê-las”. Ela ressaltou que as peças são “claramente inegociáveis”, uma vez que qualquer comprador seria considerado cúmplice na ocultação de bens roubados. A promotora expressou esperança de que as joias possam ser recuperadas “para o Louvre e para a nação”.
O roubo
O roubo, realizado por um grupo de quatro homens, ocorreu por volta das 9h30 do dia 19 de outubro. Eles chegaram ao museu em uma caminhonete furtada equipada com uma escada extensível e um elevador, permitindo que dois dos membros subissem até a galeria Apollo. Vestindo coletes refletivos para se passarem por trabalhadores de manutenção, eles quebraram uma janela desprotegida e utilizaram cortadores de disco para abrir duas vitrines antes de fugir em motocicletas conduzidas pelos outros dois comparsas.
A ação durou menos de sete minutos, com os ladrões que entraram na galeria gastando apenas três minutos e cinquenta e oito segundos no interior. Embora tenham deixado para trás uma coroa adornada com diamantes e esmeraldas, eles conseguiram levar oito valiosas peças incrustadas com gemas.
Entre os itens roubados estavam um colar de esmeraldas e diamantes presenteado por Napoleão I à sua segunda esposa, Maria Luísa, e um diadema com 212 pérolas e quase 2.000 diamantes que pertencera à imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III.
A promotora revelou que os dois suspeitos detidos — um deles um nacional argelino de 34 anos que reside na França desde 2010 e já é conhecido da polícia por infrações de trânsito; e o outro, um homem de 39 anos nascido em Aubervilliers, nos arredores de Paris, com antecedentes criminais por furto — são considerados responsáveis pela invasão da galeria Apollo.
A análise forense revelou DNA dos suspeitos em uma vitrine e em uma scooter utilizada na fuga. Beccuau mencionou a possibilidade de que o grupo envolvesse mais do que quatro indivíduos, embora até o momento não haja indícios de apoio interno na execução do crime.
Beccuau também destacou o empenho contínuo das autoridades: cerca de 100 investigadores da Brigada Criminal organizada da França estão “trabalhando todos os dias da semana, dia e noite, em um esforço para identificar os ladrões e recuperar as joias”. A promotora indicou que ainda há “muitas provas a serem examinadas” e se absteve de comentar sobre os dois outros suspeitos que continuam foragidos.
Além disso, na mesma ocasião, a polícia reconheceu falhas significativas na segurança do Louvre. O chefe da polícia parisiense, Patrice Faure, informou aos senadores sobre sistemas obsoletos e atrasos nas melhorias planejadas para a segurança do museu. Um programa de aprimoramento avaliado em €80 milhões não deve ser concluído antes do final da década, conforme repercute o The Guardian.
A diretora do museu, Laurence des Cars, já havia admitido anteriormente a existência de pontos cegos na segurança. Segundo Des Cars, a única câmera externa instalada próxima à galeria Apollo estava direcionada para o lado oposto da janela vulnerável. Em resposta à situação atual, o museu transferiu algumas joias valiosas para o Banco da França.