Após doze anos presa, britânica condenada à morte na Indonésia deve ser libertada
Britânica de 67 anos de idade deve ser libertada da prisão e enviada de volta ao Reino Unido após acordo entre governos

Uma mulher de 69 anos de idade que passou mais de uma década no corredor da morte na Indonésia está prestes a ser libertada. A britânica Lindsay Sandiford deve retornar ao Reino Unido após decisão formalizada por meio de um acordo entre os governos indonésio e britânico.
Conforme informações divulgadas pelo jornal “Independent” e pela agência France Presse, uma autoridade indonésia anunciou que “o acordo prático será assinado hoje. A transferência será feita imediatamente”.
Segundo o portal Extra, além de Lindsay, outro cidadão britânico, Shahab Shahabadi, de 35 anos, também será liberado. Ele estava preso na Indonésia desde 2014, acusado de tráfico de drogas.
Lindsay foi condenada à pena de morte em 2013, após a descoberta de cocaína avaliada em aproximadamente R$ 11,5 milhões escondida em sua bagagem ao desembarcar em Bali, vindo da Tailândia. Desde então, sua situação tem gerado ampla cobertura na mídia britânica.
Recentemente, reportagens indicaram que a mulher revelou um desejo profundo de ver seu caso resolvido, mencionando que gostaria de “morrer logo”, durante uma conversa com uma companheira de cela. Ela se tornou conhecida como “Rainha” entre as detentas do presídio balinês onde se encontrava encarcerada.
As leis antidrogas da Indonésia são reconhecidas mundialmente por sua severidade, prevendo a execução por fuzilamento para casos relacionados ao tráfico de grandes quantidades de substâncias ilícitas.
Antes de sua prisão, Lindsay trabalhava como assistente administrativa em um escritório jurídico em Cheltenham, Inglaterra. Sua vida pessoal já enfrentava desafios; após ser despejada por falta de pagamento do aluguel e se separar do marido, ela decidiu mudar-se para a Índia em 2012. Ao chegar em Bali, foi detida pelas autoridades devido à grande quantidade de droga encontrada em sua posse.
O que a britânica alegou
Durante o interrogatório policial, Lindsay alegou ter sido coagida por traficantes internacionais a transportar a substância, afirmando que sua família teria sido ameaçada caso não seguisse as instruções. Contudo, ao ser confrontada com a possibilidade da pena capital, ela alterou sua versão inicial e confessou que havia sido orientada por um negociante de antiguidades britânico chamado Julian Ponder e sua parceira Rachel Dougall.
Como parte do processo judicial, Lindsay concordou em colaborar com as autoridades para capturar Julian. Após uma busca na residência dele, ambos foram condenados por tráfico de drogas. Rachel foi considerada não culpável do crime principal, mas recebeu uma sentença de um ano de prisão por não ter denunciado o envolvimento do casal.
A defesa de Lindsay argumentou que ela havia agido sob coerção devido a problemas de saúde mental; no entanto, esse apelo não convenceu os juízes, que optaram pela pena máxima em contrariedade às recomendações da promotoria, que sugeria uma pena de 15 anos.
Julian Ponder recorreu da decisão e acabou inocentado das acusações de tráfico. Condenado por posse de drogas, cumpriu uma pena reduzida de seis anos.