Cientistas intensificaram a investigação sobre um brilho de raios-gama difuso no centro da Via Láctea que resiste a explicações simples, e que pode finalmente apontar para demonstração da existência de matéria-escura. O fenômeno, detectado há décadas, é observado como um excesso de radiação gama em torno do núcleo galáctico — muito além do previsto pelos modelos convencionais de fontes conhecidas, como estrelas normais ou supernovas.
Recentemente, pesquisadores criaram mapas simulados da distribuição esperada de matéria-escura na galáxia. As simulações consideram que, com o tempo, massas menores de matéria-escura se agregaram em direção ao centro galáctico, aumentando as possíveis colisões entre essas partículas.
Comparando esses mapas com medições reais feitas por telescópios de raios-gama, os cientistas descobriram que o perfil do brilho observado se alinha de forma surpreendente com o que seria esperado se esses excessos fossem produzidos por partículas de matéria-escura se aniquilando umas às outras.
Mistério na Via Láctea
Apesar da consonância entre simulação e observação, há outra hipótese plausível: que o brilho venha de pulsares milissegundos — estrelas de nêutrons extremamente densas que giram muito rapidamente e emitem radiação gama. Para que essa alternativa se sustente, no entanto, é necessário supor que haja muito mais desses pulsares não observados do que os astrônomos estimavam, o que introduce incertezas.
Os pesquisadores afirmam que uma “assinatura limpa” — um conjunto de parâmetros observáveis como energia específica dos raios-gama — poderia funcionar como prova decisiva. Novos equipamentos, como o futuro telescópio de raios-gama Cherenkov Telescope Array, devem oferecer maior resolução para distinguir entre as teorias.
Enquanto isso, eles também planejam aplicar os modelos a galáxias-satélite da Via Láctea, que poderiam mostrar sinais similares se a matéria-escura for realmente a origem. Se confirmadas, essas descobertas teriam impacto profundo sobre física de partículas, cosmologia e nossa compreensão da composição do universo.