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Fantasmas? Supostos eventos sobrenaturais de Amityville completam 50 anos

Casa que foi palco de assassinatos tornou-se cenário de eventos sobrenaturais durante a década de 1970

A famosa casa em Amityville - Crédito: Getty Images

Uma casa colonial holandesa que se ergue em meio à pacata vila de Amityville, em Long Island, Nova York, ganhou fama em meados do século passado, quando foi mencionada no livro ‘The Amityville Horror’.

A obra foi lançada em 1977 pelo jornalista Jay Anson, que inspirou-se em depoimentos de George e Kathleen Lutz. Os dois viveram na casa por apenas 28 dias e testemunharam uma série de acontecimentos sobrenaturais que teriam levado a família a fugir às pressas da residência de cinco quartos localizada no número 108 da Ocean Avenue.

A obra se transformou rapidamente em um best-seller e, dois anos depois, foi adaptada para o cinema no filme ‘Horror em Amityville’ (1979), estrelado por James Brolin e Margot Kidder. O sucesso deu origem a uma longa franquia de filmes, consolidando a imagem da casa amaldiçoada.

Crime brutal

Antes dos eventos sobrenaturais, porém, Amityville foi cenário de um crime brutal. Em 13 de novembro de 1974, Ronald DeFeo Jr., de 23 anos, assassinou a tiros seus pais e quatro irmãos enquanto dormiam. Em depoimento, o rapaz afirmou ter ouvido “vozes” que o incitaram a cometer o crime.

Depois que comecei, simplesmente não conseguia parar”, disse ele, de acordo com o portal People. Condenado a seis penas consecutivas de prisão perpétua, DeFeo se tornou o primeiro nome ligado ao que, mais tarde, seria chamado de “a casa do horror”.

Um ano após os assassinatos, os Lutz — George, Kathleen e seus três filhos — compraram a casa por um valor abaixo do mercado. Pouco depois de se mudarem, relataram uma sequência de eventos inexplicáveis: portas que batiam sozinhas, odores fétidos, variações bruscas de temperatura e uma gosma verde escorrendo das paredes. George dizia acordar todas as noites às 3h15, o horário aproximado dos assassinatos. Além disso, o casal afirmou ainda ter visto figuras demoníacas, incluindo um ser em forma de porco com olhos vermelhos brilhantes que os observava pelas janelas.

Um episódio particularmente assustador envolveu um padre que abençoava a casa. Segundo os Lutz, uma voz sobrenatural ordenou que ele “saísse” imediatamente. O religioso teria sido atingido por uma força invisível, ficando doente logo depois. “Se tivéssemos tentado perpetrar algum tipo de farsa, acho que teríamos muito mais certeza de quando e como as coisas aconteceram, pois as estaríamos inventando”, disse George Lutz à People em 1977, defendendo a veracidade da história.

Os famosos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren, que mais tarde inspirariam a franquia Invocação do Mal, também examinaram o caso em 1976. “Esta não era uma casa mal-assombrada comum. Em uma escala de um a dez, isso foi dez”, afirmou Ed. Lorraine, por sua vez, garantiu que nunca mais voltaria à residência: “Terrível. Horrível. Lugar horrível.”

Apenas uma farsa?

Apesar das alegações, a autenticidade dos fenômenos de Amityville sempre foi questionada pelos mais céticos e o advogado de defesa de Ronald DeFeo Jr., William Weber, declarou à People que ele e os Lutz teriam inventado parte da história “com muitas garrafas de vinho”, inclusive o detalhe do porco demoníaco.

A atriz Margot Kidder, que interpretou Kathleen no filme, também chegou a comentar o caso: “Suponho que acredito na possibilidade de muitas coisas, mas acho que porcos bufando nas janelas estão indo um pouco longe.”

Também vale destacar que os próprios filhos dos Lutz expressaram versões divergentes ao longo dos anos. Daniel, um dos garotos, afirmou ter vivido episódios de levitação, enquanto Christopher, seu irmão, admitiu em 2005 que os acontecimentos foram “esticados ao ponto da ficção”. Kathleen morreu em 2004, e George em 2006, sem jamais recuar de suas declarações.

A fama da casa, no entanto, superou qualquer disputa de versões. Desde os anos 1980, o imóvel passou por diversos proprietários e reformas que alteraram suas janelas icônicas. Jim e Barbara Cromarty, que viveram lá por uma década após os Lutz, afirmaram que “tudo era uma farsa” e que o único incômodo eram os turistas curiosos.

Jeanne O’Neill, que morou na casa de 1987 a 1997, resumiu: “Eu adorei. Era uma bela casa.” Mesmo nos dias de hoje entanto, muitas pessoas seguem se dirigindo à residência buscando testemunhar fenômenos sobrenaturais.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.