Notícias / Arqueologia

Arqueólogos encontram ferramentas de pedra de 42 mil anos

Nova análise indica que grupos humanos desenvolveram ferramentas de pedra semelhantes em regiões distintas, sem contato direto

Ferramentas de pedra
Ferramentas de pedra analisadas no estudo - Armando Falcucci

Uma pesquisa internacional conduzida por especialistas das universidades de Tübingen, na Alemanha, e do Arizona, nos Estados Unidos, revelou que povos antigos produziram ferramentas de pedra de forma independente há cerca de 42 mil anos. O estudo indica que grupos do sul da Europa e do Oriente Próximo desenvolveram técnicas semelhantes de talhamento sem contato direto entre si — uma descoberta que desafia antigas teorias sobre a difusão cultural.

Os cientistas compararam milhares de artefatos pertencentes a duas tradições distintas: a cultura Ahmariana, registrada no Oriente Próximo (especialmente em Ksar Akil, no Líbano), e a Protoaurignaciana, identificada em sítios arqueológicos italianos, como Grotta di Fumane, Riparo Bombrini e Grotta di Castelcivita. A equipe reconstruiu os métodos usados para criar lâminas e pontas de ferramentas, analisando padrões de fratura e desgaste que revelam como eram feitas.

Ferramentas da antiguidade

Embora as ferramentas apresentem aparência similar, o processo de confecção diverge de modo consistente. Enquanto os povos do Levante trabalhavam núcleos de pedra de forma mais contínua, os europeus preferiam técnicas que envolviam fragmentações sucessivas e ajustes de formato. Em ambas as culturas, no entanto, observou-se uma tendência a fabricar lâminas menores e mais precisas ao longo do tempo — sinal de uma evolução paralela na complexidade tecnológica.

A conclusão do estudo é que as inovações do Paleolítico Superior não foram necessariamente importadas de uma única origem, mas surgiram de forma autônoma em diferentes regiões. Essa hipótese sugere que os primeiros Homo sapiens adaptaram suas técnicas a ambientes e recursos locais, desenvolvendo soluções parecidas para desafios semelhantes: uma prática que ilustra a universalização do instinto de sobrevivência humana.

Com isso, os pesquisadores defendem uma visão mais dinâmica da pré-história: a criatividade do Homo sapiens teria florescido de maneira simultânea em diferentes partes do mundo, moldando diversas culturas e grupos sob pressões ambientais e sociais parecidas.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.