Trump teria pressionado diretor de museu a entregar espada para presentear rei Charles
Diretor de museu diz ter sido forçado a deixar cargo após se recusar a entregar espada a Trump; item pertenceu a ex-presidente americano

Na última semana, Todd Arrington, que ocupava o cargo de diretor da Biblioteca e Museu Dwight D. Eisenhower, anunciou sua saída após se recusar a ceder uma espada pertencente ao ex-presidente dos Estados Unidos para uma visita de Estado do presidente Donald Trump ao Reino Unido. Com quase três décadas dedicadas ao serviço público, Arrington afirmou ter sido pressionado a deixar o posto e expressou perplexidade sobre a relação entre sua recusa e a demissão.
Antes de sua visita oficial no mês passado, a administração Trump buscava um presente para o rei Charles III. Entre as opções consideradas estava um artefato que remetesse ao legado de Dwight D. Eisenhower, especialmente algo que simbolizasse seu papel como comandante das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial.
A comunicação para solicitar o artefato foi feita por meio de um e-mail pessoal de um funcionário do presidente ao Museu e Biblioteca em Abilene, Kansas, que abriga uma espada dada a Eisenhower pela rainha Guilhermina da Holanda em 1947. No entanto, a instituição negou a solicitação, argumentando que tais itens são propriedade do governo americano e devem ser preservados para o público.
Como alternativa, Trump presenteou o monarca britânico com uma réplica da espada. A demissão de Arrington ocorreu logo em seguida, mas os motivos exatos que levaram à sua saída ainda não estão totalmente claros. Segundo o portal O Globo, o diretor confirmou que recebeu pressão para renunciar e foi informado de que não poderia ser mais confiável com informações confidenciais, sem receber esclarecimentos adicionais sobre sua demissão.
“Eu nunca imaginei que seria demitido após quase 30 anos de serviço público por causa disso”, comentou Arrington, demonstrando surpresa com a situação. Ele enfatizou que retornaria ao cargo “em um piscar de olhos”.
Descontentamento
Fontes próximas à situação relataram que o descontentamento com Arrington também se estendia a funcionários do Arquivo Nacional dos EUA e da Administração Nacional de Arquivos e Registros (NARA), com quem ele teve atritos ao compartilhar informações sobre mudanças planejadas para um novo centro educacional. Essas interações podem ter contribuído para sua demissão.
Até o momento, o Arquivo Nacional não se manifestou sobre o assunto devido à paralisação governamental, e a Casa Branca optou por não comentar os desdobramentos.
A saída de Arrington é mais um episódio na relação conturbada entre Trump e instituições culturais e históricas do país. Desde o início de seu mandato, Trump fez diversas mudanças nas lideranças dessas entidades, incluindo a demissão da arquivista dos Estados Unidos, Colleen Shogan, em meio à controvérsia sobre documentos classificados não devolvidos após seu período no cargo.