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Humanos se alimentavam de preguiças-gigantes, aponta novo estudo

As preguiças-gigantes teriam sido uma fonte alimentar vital para caçadores-coletores que viviam na América do Sul entre 13.000 e 11.600 anos atrás

Megafauna consistiu em um amplo grupo de animais que viveu a época geológica do Pleistoceno, popularmente conhecida como Era do Gelo - Crédito: Divulgação/Luciano Prates, Matías Medina, S. Ivan Perez, Megafauna 3D Project

Um novo estudo conduzido por uma equipe de arqueólogos argentinos, publicado na revista Science Advances, sugere que as preguiças-gigantes, criaturas imponentes que habitaram a América do Sul, podem ter sido uma fonte alimentar vital para os caçadores-coletores que viveram na região entre 13.000 e 11.600 anos atrás.

A pesquisa envolveu a análise de ossos e restos de animais em 20 sítios arqueológicos localizados na Argentina, Chile e Uruguai. Os cientistas descobriram que uma significativa proporção dos ossos encontrados pertencia à megafauna, um grupo que inclui mamíferos com peso superior a 44 kg. Essa descoberta fornece novas informações sobre as dinâmicas alimentares dos primeiros humanos e o impacto que esses grandes animais tiveram em sua sobrevivência.

Segundo o portal Galileu, os pesquisadores procuraram evidências de atividades de caça, como marcas de corte nos ossos, para determinar se os humanos estavam ativamente abatendo essas criaturas. Os resultados revelaram que mais de 80% dos ossos encontrados em 15 dos 20 sítios pertenciam a espécies extintas da megafauna, destacando a importância desses animais como fonte energética nas dietas da época.

As preguiças-gigantes, por exemplo, eram imensas, podendo pesar até quatro toneladas e medir até três metros de altura. Com uma dieta baseada em vegetais, uma única preguiça poderia consumir até 300 quilos por dia, fornecendo alimento suficiente para grandes grupos humanos durante vários dias.

Novas evidências

Historicamente, muitos estudiosos acreditavam que as extinções da megafauna estavam principalmente ligadas a mudanças climáticas, enquanto o papel da caça humana era considerado secundário. Contudo, as novas evidências sugerem que essas criaturas não eram apenas uma opção alimentar ocasional para os caçadores-coletores, mas sim parte essencial de suas estratégias de sobrevivência.

Os autores do estudo afirmam: “Nossos resultados enfraquecem uma das objeções mais citadas à hipótese de que os humanos são a principal causa das extinções da megafauna e colocam novamente os caçadores-coletores humanos no centro do debate”.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.