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Lados da lua têm temperaturas internas diferentes, aponta estudo

Pesquisas indicam que a face oculta da lua possui menos aquecimento interno em comparação com o lado visível

Lua ilustrativa
Imagem ilustrativa da Lua - Getty Images

Pesquisadores identificaram evidências de que o interior da Lua não é termicamente uniforme: o lado oculto do satélite seria mais frio dentro de sua estrutura do que o lado visível. A surpresa reside no fato de que essa diferença não está relacionada diretamente à luz solar — todos os lados da Lua recebem em média quantidades semelhantes de iluminação — mas sim ao modo como o calor interno se distribui, influenciado pela gravidade da Terra e pela arquitetura interna da Lua.

O estudo publicado na Nature Geoscience recorreu a dados da missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory), da NASA, que mapeou com precisão o campo gravitacional lunar. A combinação desses mapas com modelos de evolução térmica permitiu aos cientistas estimar como o calor interno se comporta abaixo da crosta lunar. As análises sugerem que o lado visível — aquele sempre voltado para a Terra — é deformado pela atração gravitacional terrestre de maneira mais intensa, o que favorece maior dissipação de calor local.

Temperaturas da lua

Essa assimetria térmica seria consequência do chamado “aquecimento por maré”, ou tidal heating, que surge da interação gravitacional entre a Terra e a Lua. Segundo simulações realizadas por pesquisadores, o aquecimento gerado por essas forças de maré é cerca de 10% a 20% mais intenso no lado que enfrenta nosso planeta. Essa diferença gera fluxos de calor discrepantes no manto e na base da crosta lunar.

Além disso, a lua apresenta uma crosta interna com estrutura desigual: as regiões sob a face visível podem conter mais material radioativo ou menor espessura de isolamento térmico, o que facilita a dissipação de calor. No lado oculto, em contrapartida, o calor avançaria com mais dificuldade para escapar, resultando em temperaturas internas mais baixas.

Essas conclusões ajudam a explicar outras características anômalas da Lua, como as diferenças nas densidades de crateras e no vulcanismo entre as faces visível e oculta. Também abrem caminho para novas investigações: missões futuras poderão medir diretamente a temperatura na crosta profunda da Lua, o que ajudaria a confirmar modelos e trazer mais clareza sobre sua evolução térmica.

Com o estudo, o nosso satélite natural se mostra ainda mais intrigante — não apenas como corpo celestial estático, mas como um mundo com dinâmica interna complexa e assimetrias profundas entre seus dois lados.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.