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Arqueólogos descobrem antigo “banco de espera” em vila de Pompeia

Em frente à famosa Vila dos Mistérios, em Pompeia, arqueólogos descobriram assento em que clientes esperavam por atendimento de romano de elite

Antigo assento descoberto na entrada da Vila dos Mistérios, em Pompeia / Crédito: Divulgação/Parque Arqueológico de Pompeia

Recentemente, arqueólogos realizaram uma descoberta significativa em Pompeia ao encontrarem um antigo “banco de espera”, onde clientes aguardavam ser atendidos por um membro da elite romana. Essa estrutura foi localizada em frente à entrada da Vila dos Mistérios, uma propriedade notável repleta de belíssimos afrescos e situada nas imediações das muralhas da antiga cidade.

Segundo comunicado do Parque Arqueológico de Pompeia, o banco foi construído ao longo de um caminho público adjacente à Vila dos Mistérios. Esta grandiosa residência, que remonta à erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., é famosa por seus afrescos intricados, que podem ilustrar rituais cultuais dedicados a Dionísio, o deus do vinho e da fertilidade. Os afrescos datam do século 1 a.C., e historiadores sugerem que o proprietário original da vila era um oficial militar de alta patente.

A vila foi descoberta em 1909, mas as escavações recentes revelaram novas informações sobre o local. Além da monumental entrada original da casa, os arqueólogos também encontraram o banco que fica em sua proximidade, proporcionando uma visão mais clara sobre o cotidiano do proprietário da Vila dos Mistérios.

Fotografia aérea do local das escavações / Crédito: Divulgação/Parque Arqueológico de Pompeia

Banco de espera

Segundo Gabriel Zuchtriegel, diretor do parque, é provável que o dono da vila fosse um romano de classe alta que recebia visitantes todas as manhãs. Esses encontros faziam parte do ritual social conhecido como salutatio, em que clientes de status inferior se dirigiam às casas das elites para solicitar favores, assistência legal ou ajuda financeira, oferecendo em troca seu apoio político.

Os visitantes da Vila dos Mistérios não tinham garantia de que seriam atendidos pelo proprietário. Mesmo assim, como destaca Zuchtriegel, eles se aproximavam da vila pela Via Superior, uma rua pavimentada com pedras vulcânicas, e esperavam próximo à entrada arqueada.

Em frente ao arco encontra-se o banco feito de cocciopesto, um material de construção à prova d’água amplamente utilizado na Roma antiga. Segundo um artigo publicado na revista Scavi di Pompei, esse local era onde os visitantes esperançosos descansavam enquanto aguardavam. Estruturas similares foram descobertas próximas às entradas de outras grandes residências em Pompeia.

No muro ao lado do banco fora da Vila dos Mistérios, alguém utilizou carvão para escrever uma mensagem breve. Essa anotação inclui uma data sem ano e letras que podem formar um nome. Os pesquisadores sugerem que esse grafite foi feito para passar o tempo enquanto se esperava por uma audiência, repercute a Smithsonian Magazine.

“Grafite” descoberto no local / Crédito: Divulgação/Parque Arqueológico de Pompeia

A Vila dos Mistérios, localizada fora das muralhas de Pompeia, “milagrosamente sofreu apenas danos leves na erupção do Monte Vesúvio”, conforme afirmado por Richard Whiddington na Artnet. Além da entrada e do banco recentemente descobertos, as escavações revelaram pinturas com fundos pretos e amarelos, além de partes dos aposentos dos servos. Os pesquisadores expressam esperança em continuar estudando esses espaços durante futuras escavações.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.