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Como cópia do Decreto de Canopus ajudou pesquisadores a decifrar hieróglifos egípcios?

Nova descoberta revela detalhes inéditos sobre a vida no Egito Antigo e reforça o papel do decreto na compreensão da escrita hieroglífica

Cópia do Decreto de Canopus descoberta no Egito - Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

Arqueólogos no Egito anunciaram a descoberta de uma nova cópia do Decreto de Canopus, um dos textos mais importantes da antiguidade. O achado ocorreu em Tell El-Fara’in, na cidade de El-Husseiniya, e deixou os pesquisadores entusiasmados.

A tábua, feita de arenito, mede cerca de 1,20 m de altura por 90 cm de largura e está decorada com símbolos reais: um disco solar alado, duas cobras uraei com coroas do Alto e Baixo Egito, e a inscrição “Di Ankh” — “Aquele que dá a vida”.

Diferentemente das seis cópias conhecidas até agora, escritas em três idiomas (hieróglifos, demótico e grego), essa sétima versão foi gravada inteiramente em hieróglifos, o que oferece uma nova oportunidade para estudar de perto a escrita sagrada dos egípcios.

O decreto

O Decreto de Canopus foi originalmente proclamado em 238 a.C. pelo faraó Ptolomeu III Evérgeta durante uma assembleia de sumos sacerdotes na cidade de Canopo, hoje submersa perto de Alexandria. Para garantir sua difusão, cópias em pedra foram enviadas a diversos templos em todo o Egito.

O texto não apenas exaltava o faraó, sua esposa e sua filha — que foi divinizada após a morte precoce —, mas também anunciava remissões de impostos, registrava a expedição militar de Ptolomeu à Ásia, celebrava vitórias internas e até instituía um novo festival religioso vinculado ao nascer da estrela Sírius.

Além das questões políticas e religiosas, o decreto trouxe um avanço científico notável. Ele estabeleceu um calendário solar mais preciso, introduzindo o equivalente ao nosso ano bissexto. A cada quatro anos, um dia extra era adicionado para corrigir as falhas do calendário lunar.

Em suas próprias palavras, o decreto afirmava: “Que todos os homens saibam que o arranjo das estações do ano era um tanto defeituoso. As regras que existem como leis da ciência e os caminhos do céu foram agora corrigidos”.

Pedra de Roseta

Assim como a famosa Pedra de Roseta, encontrada em 1799, o Decreto de Canopus desempenhou um papel central na compreensão dos hieróglifos egípcios. Por estar escrito em três sistemas de escrita diferentes, ele ofereceu pistas fundamentais para os estudiosos do século 19 que buscavam desvendar a língua esquecida.

Segundo o ‘All Thats Interesting’, a nova cópia, porém, traz um diferencial: ao ser escrita apenas em hieróglifos, ela fornece uma amostra pura da escrita sagrada, permitindo comparações mais detalhadas com outras versões bilíngues e trilíngues já conhecidas.

Legado

O achado em Tell El-Fara’in reforça a importância do Decreto de Canopus como um documento que vai além do seu tempo. Ao unir política, religião, ciência e linguagem, ele mostra como o Egito Ptolemaico era um centro de poder organizado e de pensamento avançado.

Mais de dois mil anos depois, as palavras gravadas em pedra continuam a falar, ajudando arqueólogos e linguistas a reconstruírem a história de uma das civilizações mais influentes da humanidade.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli