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Obras de Charles Chaplin são exibidas em exposição no Rio de Janeiro

83 obras de Chaplin, maior nome do cinema mudo e da Era de Ouro de Hollywood, estão disponíveis no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)

Charles Chaplin em 'Tempos Modernos' - Crédito: Getty Images

Charles Chaplin, maior nome do cinema mudo e da Era de Ouro de Hollywood, é celebrado não apenas por sua habilidade em provocar risos e lágrimas, mas também por sua capacidade de instigar reflexões sobre questões sociais e políticas em seus filmes.

Com uma carreira que se estendeu por mais de cinquenta anos, Chaplin atuou como ator, comediante, roteirista, diretor, editor, compositor e músico. Em 1972, recebeu um Oscar honorário, sendo reconhecido pelo impacto inestimável que teve na transformação do cinema em uma forma de arte no século 20. Ao longo de sua trajetória, ele produziu mais de 80 filmes, incluindo curtas-metragens e longas-metragens. Todos, com exceção de dois títulos inacabados, estão disponíveis na mostra “Chaplin”, que ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) até o dia 13 de outubro. Os ingressos custam R$ 10.

“Eu tinha um pouco de receio (da recepção do público) por as pessoas não estarem acostumadas ao cinema mudo e ao formato dos curtas, mas o retorno em Brasília (local da primeira edição do evento), foi excelente, principalmente das crianças” declarou José de Aguiar, idealizador e curador da exposição, ao portal O Globo. A mostra oferece uma oportunidade única para os visitantes assistirem ou revisitarem clássicos como “Tempos Modernos” (1936) e “O Grande Ditador” (1940), ambos exemplos de críticas incisivas ao capitalismo e ao regime nazista.

“Chaplin teve uma carreira longeva, então pôde trabalhar a própria obra sobre vários aspectos. Além de ator, também criava histórias, era um diretor fabuloso e compunha trilhas lindas para seus filmes. E, conforme foi envelhecendo, foi entrando num lado um pouco mais sério”, destacou Aguiar. A postura engajada socialmente de Chaplin resultou em perseguições políticas nos Estados Unidos durante o período do macarthismo. Em 1952, seu visto foi revogado, forçando-o a se estabelecer na Suíça até seu falecimento aos 88 anos.

Curtas

A programação da exposição inclui uma seleção de curtas-metragens organizados por três estúdios: Keystone, Essanay e Mutual. Entre as obras apresentadas estão “Corrida de Automóveis para Meninos” (1914), na qual Carlitos faz sua estreia nas telonas, e “O Imigrante” (1917), que retrata as dificuldades enfrentadas por um recém-chegado aos Estados Unidos.

Dezenove filmes terão exibições em duas versões: uma em alta definição (HD) e outra no formato original em película de 16mm. O curador sugere que os espectadores assistam ambas as versões para vivenciar experiências distintas. Aqueles que comparecerem a pelo menos três sessões receberão um catálogo sobre a obra de Chaplin.

Outro destaque notável da mostra é “A Condessa de Hong Kong” (1967), a última produção de Chaplin e seu único filme colorido. Neste projeto, ele não atuou, mas desempenhou funções como roteirista e diretor, trabalhando com estrelas como Sophia Loren e Marlon Brando.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.