Quênia solicita prisão de ex-soldado britânico suspeito de assassinar jovem
Ex-soldado britânico é suspeito de assassinar Agnes Wanjiru em 2012; caso extradição ocorra, julgamento pode representar marco da história britânica

Nesta semana, foi emitido um mandado de prisão no Quênia contra um cidadão britânico, que é suspeito no assassinato de uma jovem queniana há mais de uma década. Agnes Wanjiru tinha 21 anos quando, em 2012, foi encontrada morte no terreno de um hotel, próximo a uma base militar britânica no país.
Alexander Muteti, juiz do tribunal superior queniano, emitiu o mandado de prisão nesta terça-feira, 16, com a promotoria informando ao tribunal que um suspeito foi acusado de assassinato, e solicitando um mandado de prisão para facilitar sua extradição ao Quênia. Testemunhas do Reino Unido também serão convocadas para depor em um julgamento futuro, segundo a promotoria.
Conforme repercute o The Guardian, Wanjiru foi vista pela última vez no dia 31 de março de 2012, na companhia de alguns soldados britânicos, em uma noite no hotel Lion’s Court, na cidade de Nanyuki. Ela trabalhava como cabeleireira, e as vezes vendia sexo para ganhar dinheiro extra, mas desapareceu após a fatídica noite; seu corpo foi encontrado meses depois, em uma fosse séptica no hotel.
Vale mencionar que o bar do Lion’s Court era um destino popular entre os soldados britânicos baseados na Unidade de Treinamento do Exército Britânico no Quênia (BATUK) em Nanyuki, a cerca de 200 quilômetros ao norte da capital do país, Nairóbi. Segundo o inquérito, Wanjiru foi vista pela última vez saindo do bar com um ou mais soldados; e um suspeito foi nomeado por vários outros que, na época, eram vinculados ao Regimento do Duque de Lancaster, segundo descoberto em investigação pelo Sunday Times em 2021.
Agora, as autoridades quenianas estão dando início aos processos de extradição, a fim de que o soldado acusado de homicídio enfrente a Justiça no Quênia. Caso a extradição aconteça, esta será a primeira vez que um soldado britânico, atual ou antigo, é extraditado para outro país para ser julgado pelo assassinato de um civil.
Batalha incessante
Em comunicado, a família de Agnes Wanjiru disse: “Convivemos com a dor da morte de Agnes há mais de uma década. A notícia de que um mandado de prisão foi emitido contra um cidadão do Reino Unido é um momento significativo para nós e extremamente bem-vindo”.
A advogada da família, Tessa Gregory, complementa: “A família agora apela ao governo britânico para que faça tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que o acusado possa ser extraditado e julgado no Quênia o mais rápido possível”.
Desde que o suspeito do assassinato foi identificado pelo Sunday Times, detetives quenianos voaram para o Reino Unido várias vezes para interrogar soldados e ex-soldados que estavam baseados em Nanyuki na época do crime.
O atual secretário de defesa britânico, John Healey, se encontrou com a família de Wanjiru no Quênia no início deste ano, e lhes prometeu “total apoio” à investigação. “Foi profundamente gratificante conhecer a família de Agnes Wanjiru hoje”, disse ele na época. “Nos 13 anos desde sua morte, eles demonstraram muita força em sua longa luta por justiça. Reiterei minha determinação em ver uma resolução para o caso ainda não resolvido”.
No momento, não há um prazo exato definido para qualquer audiência de extradição ou julgamento. Porém, o que se sabe é que o caso será levado a julgamento no Quênia ainda neste ano, em 21 de outubro.